Conferência da ONU sobre mudanças climáticas começa no Catar

Países se reúnem para negociar metas e soluções para diminuir as emissões de gases causadores do efeito estufa

iG São Paulo | - Atualizada às

AP
Primeiro ministro do Catar Abdullah bin Hamad Al-Attiyah na abertura da conferência

A 18ª conferência da ONU sobre a mudança climática teve início nesta segunda-feira (26) em Doha, na presença de representantes de 190 países, que buscam avançar nas complexas negociações sobre a limitação das emissões de gases que provocam o efeito estufa.

A conferência prosseguirá até 7 de dezembro na capital do Catar. A partir do dia 4, os negociadores receberão mais de 100 ministros que tentarão chegar a um consenso sobre o que precisa ser efetivamente adotado para minimizar os efeitos provocados pelas fortes mudanças de temperatura do planeta.

Entre os grandes temas da agenda estão o segundo ato do Protocolo de Kyoto, cujo alcance será fundamentalmente simbólico, o rascunho de um grande acordo global previsto para 2015 e a ajuda financeira aos países mais vulneráveis.

"A conferência de Doha apresenta um desafio único: olhar para o presente e para o futuro", declarou a chefe da ONU para o Clima, Christiana Figueres, em seu discurso de abertura."O presente são os meios de aumentar o nível de ambição de forma urgente", ou seja, que os países assumam compromissos mais fortes em termos de redução dos gases do efeito estufa, explicou.

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A reunião acontece num amplo centro de convenções do Catar -- primeiro país da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) a receber a conferência climática anual, e a nação do mundo com a maior taxa per capita de emissões de gases do efeito estufa, quase o triplo da média norte-americana.

“Nós não devemos nos concentrar nas emissões per capta, nós devemos nos concentrar na quantidade de cada país”, disse a repórteres o ex-ministro dp metróleo do Catar e o presidente da conferência Abdullah Al-Attiyah. “ Eu acredito que o Catar é o lugar certo para sediar a conferência”, completou.  

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A concentração de gases do efeito estufa, como o dióxido de carbono, aumentaram 20% desde 200. De acordo com relatório divulgado pelas Nações Unidas na semana passada. O relatório também mostrou que existe uma lacuna crescente entre o que os países estão fazendo para frear as emissões e o que é necessário ser feito para proteger o planeta do potencial aumento dos níveis de aquecimento.

Protocolo de Kyoto
A assinatura de um segundo período de compromisso de Kyoto, depois da expiração do primeiro, no final de 2012, é um dos grandes temas, embora tenha um alcance apenas simbólico.

Seu princípio foi decidido em Durban (África do Sul), no final de 2011. Em Doha, os países deverão chegar a um acordo sobre a duração de Kyoto 2 e seus objetivos de redução dos GEI.

Mas Kyoto 2 poderá ficar limitado a 15% das emissões de GEI mundiais – as da União Europeia e da Austrália -, já que Canadá, Rússia e Japão não querem participar e os Estados Unidos nunca ratificaram o tratado.

A União Europeia afirma que prevê reduzir suas emissões em 20% até 2020, em relação a 1990. "Estamos dispostos a aumentar este objetivo a 30% se as grandes economias fizerem um esforço", declarou o negociador-chefe da UE", Artur Runge-Metzger.

Além disso, os negociadores devem retomar os debates sobre o Fundo Verde e a regulamentação internacional de uma compensação para países em desenvolvimento que reduzem as emissões de gases de efeito estufa, conhecido como Redd – sigla que define a Redução das Emissões Geradas com Desmatamento e Degradação Florestal nos Países em Desenvolvimento. O mecanismo tem dividido as atenções nos debates sobre clima.

Em Copenhague, no final de 2009, a comunidade internacional decidiu desbloquear 100 bilhões de dólares por ano até 2020, administrados por um Fundo Verde, assim como uma ajuda urgente de 30 bilhões de dólares entre 2010 e 2012.

"Dentro de um mês, a ajuda de emergência terminará e o Fundo Verde continua vazio ", lamentou-se a organização governamental Oxfam.

A conferência prossegue até 7 de dezembro. Em 4 de dezembro, os negociadores contarão com a participação de mais de 100 ministros para concluir um acordo, em uma nova etapa do trabalhoso processo de negociações lançado em 1995.

( Com informações das agências de notícias)

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