Proposta de importação de baleias gera forte oposição nos EUA

Defensores dos direitos dos animais são contra a remoção de 18 belugas de seu habitat natural

The New York Times |

AFP
Aquária da Geórgia quer importar 18 belugas

Uma proposta para importar 18 baleias beluga para se tornarem atrações de populares parques interativos nos Estados Unidos está atraindo uma feroz oposição dos defensores de direitos dos animais e outros, que se opõem a sua remoção de seu habitat selvagem.

O Aquário da Geórgia, em Atlanta apresentou um pedido de licença federal para a importação em nome de um grupo de parques marinhos, dizendo que os aquários precisam das baleias do Ártico para contribuir com os esforços de reprodução em cativeiro, pesquisa e educação. A aprovação do pedido acabaria com um hiato na importação de quase duas décadas que se baseia em possíveis dúvidas sobre a remoção de mamíferos marinhos inteligentes e sociais de suas águas nativas e grupos familiares.

Leia mais:
Ártico tem aumento de espécies marinhas e baixa de aves
Mais de 100 baleias beluga ficam presas no gelo na Rússia

Para complicar as coisas, a decisão do governo federal será baseada não em bioética, mas na linguagem do Ato de Proteção dos Mamíferos Marinhos, que reconhece o benefício de se ganhar os corações e mentes dos clientes pagantes que acabam desenvolvendo uma ótima relação com animais como a baleia beluga, uma baleia que tem expressividade facial.

Trinta e uma baleias belugas, algumas jovens demais para reproduzir e outras que estão chegando ao final de seus 35 anos de vida, estão agora em exibição nos Estados Unidos. Mundialmente, acredita-se que algumas centenas estão em cativeiro.

Para Hal Whitehead, um especialista em mamíferos marinhos da Universidade de Dalhousie, em Nova Scotia, não há necessidade para muito debate. "Nós sabemos que elas são mamíferos sociais com migrações complexas e longas, e que elas vão para diferentes habitats em diferentes épocas do ano, e que se comunicam muito bem", disse ele. "Não há nenhuma situação em cativeiro que consiga reproduzir estes fatores."

Mas, para alguns especialistas, o valor de pesquisa e conservação de uma população de reprodução robusta em cativeiro supera de longe qualquer ponto negativo em relação a remoção das baleias de seu habitat natural. Embora 24 belugas tenham nascido em cativeiro em instituições americanas desde 1994, incluindo uma que foi concebida por meio de inseminação artificial, oficiais disseram que a população precisa de um número maior e de mais diversidade genética para prosperar.

A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos planeja realizar uma audiência pública sobre a proposta de importação na sexta-feira, dia 12 de outubro, em Silver Spring, Maryland. Uma decisão pelo seu serviço de pescas está previsto para o início do próximo ano.

Embora as baleias se tornariam propriedade do Aquário da Geórgia, elas também seriam enviadas para o Shedd em Chicago, o Mystic Aquarium, em Connecticut, e os parques Sea World em San Antonio, San Diego e Orlando, na Flórida

Por Felicity Barringer

    Leia tudo sobre: belugadireito dos animais

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG