Apesar do crescimento, população de baleias jubarte segue ameaçada no Brasil

População de 11 mil baleias ainda é muito inferior ao patamar de 30 mil animais que existiam antes da espécie ser quase extinta por baleeiros

EFE |

EFE

James Forte / National Geographic Image Sales
Expectativa é que população de baleias-jubarte continue crescendo e se estabilize

O número de baleias jubarte que visitam o litoral brasileiro cresceu das mil registradas em 1966, quando sua caça foi proibida, para 11.418 no ano passado, mas dificilmente voltará ao patamar de 30 mil, como era antes de a espécie quase ser extinta pelos navios baleeiros.

"Dificilmente conseguiremos uma recuperação total. O mais provável é que a população continue crescendo por um tempo, mas chegará um momento em que se estabilizará", explicou a bióloga Márcia Engel, diretora da ONG Instituto Baleia Jubarte.

Infográfico: os maiores animais do mundo 

Márcia, que há 20 anos se dedica ao estudo e à preservação das baleias jubarte, explicou que "além da caça, há outras ameaças que limitam o aumento da população, como as mudanças climáticas que reduzem seus alimentos, a contaminação dos mares e a poluição sonora submarina".

Leia mais:
'Show' de baleias em procissão encanta australianos
Número de baleias jubarte na costa brasileira é triplicado na última década
Jubartes correm perigo perto da costa dos EUA
Foto premiada flagra jubartes se acasalando
Baleias sabem lidar com ruídos subaquáticos produzidos pelo homem

A ONG, que assessora o governo brasileiro em questões relativas a baleias e é financiada pela Petrobras, constatou o lento e gradual crescimento da população das jubarte em censos aéreos realizados desde 2002.

No primeiro censo foram contados 3.396 exemplares no Espírito Santo e na Bahia. Três anos depois, com a conta estendida a todo o litoral, o número chegou a 6 mil.

Em 2008 foram registradas 9.300 jubarte em todo o litoral brasileiro e em 2011, segundo resultados divulgados recentemente, se chegou a 11.418 exemplares, apesar de a busca ter se limitado à costa entre Rio de Janeiro e Sergipe.

No século 20 foram caçadas cerca de 200 mil baleias de várias espécies no hemisfério sul por empresas que usavam sua gordura como combustível ou argamassa, segundo dados da ONG, que tem sua sede na Praia do Forte, uma antiga vila de pescadores transformada em ponto turístico a 100 quilômetros de Salvador. No lugar são oferecidos passeios para turistas possam observar os cetáceos em alto-mar.

De acordo com Márcia, em 1980 estava totalmente extinto o grupo de baleias jubarte que durante o inverno migram a águas tropicais do Brasil para acasalar e dar à luz.

"O aumento da população é uma consequência direta do fim da caça comercial, mas também dos estudos que permitiram conhecê-las melhor e lançar campanhas de preservação que incluem uma redefinição das rotas marinhas e a criação de parques que lhes servem de santuário", explica Márcia.

A proibição da caça, decretada pelo Brasil em 1966 e reforçada pela moratória internacional de 1985, não garante a total recuperação da população de baleias jubarte.

"O ambiente que era ideal mudou devido à mudança climática, à contaminação e à redução dos alimentos", ressaltou a bióloga.

As jubarte, que medem até 16 metros e chegam a pesar 40 toneladas, viajam anualmente cerca de 4.500 quilômetros até a Antártida, onde permanecem a maior parte do ano, em busca de krill, o crustáceo que lhes serve de alimento.

A população de krill se reduziu por conta do aquecimento dos oceanos, e esse déficit de alimento é a principal hipótese para explicar o recorde de quase cem baleias encalhadas no litoral brasileiro em 2010.

"As autópsias não revelaram nenhuma doença, pelo que é muito provável que as mortes estejam relacionadas a problemas de alimentação", explicou a bióloga.

Outras ameaças são as capturas acidentais em redes de pesca e os choques com embarcações, uma vez que, de acordo com Márcia, as jubarte são as baleias envolvidas em mais casos deste tipo.

Apesar de a caça estar proibida no Brasil, a pressão de países como Japão, Islândia e Noruega para acabar com a moratória mundial à caça de baleias continua sendo uma ameaça para a espécie.

A principal esperança é que a Comissão Baleeira Internacional (CBI) crie um santuário de baleias no Atlântico Sul, proposta feita pela primeira vez pelo Brasil em 2001 e que este ano esteve a ponto de alcançar os votos necessários.

A proposta, apoiada pelos 11 países latino-americanos que integram a CBI, recebeu em julho o respaldo de 38 dos 61 países presentes (65%), mas seguirá em estado de espera, uma vez que precisava do apoio de ao menos 75% das nações.

    Leia tudo sobre: baleiaanimaisconservação

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG