Segundo mês mais quente da história não é só culpa do aquecimento global

Especialistas explicam que fato de agosto apresentar temperaturas mais altas que o esperado em quase todo o mundo tem relação com os fenômenos El Niño e La Niña

iG São Paulo | - Atualizada às

NOAA/NOAA
Mapa mostras áreas que tiveram temperatura a cima da média esperada em agosto. Quanto mais vermelho, maior a temperatura. Áreas azuis foram as que ficaram abaixo da média

Agosto foi o segundo mês mais quente da Terra. A média de temperatura da superfície do planeta foi de 14,7ºC, ficando atrás apenas de 1998 e igual a 2001 e 2011. Como consequência, o degelo do Ártico foi recorde e de acordo com especialistas, a tendência é que o ano de 2012 seja um dos dez mais quentes da história.

O mundo está ficando mais quente como um todo. As temperaturas da superfície terrestre e dos oceanos aumentaram 0,7 °C a cada século, desde 1800 quando as elas passaram a ser registradas. Alguns anos apresentam oscilações naturais como a ocorrência do El Niño.

De acordo com Jessica Blunden, da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (na sigla em inglês, NOAA) , um dos motivos para tanto calor neste ano foi a transição do fenômeno La Niña, que esfria as águas do Pacífico para o El Niño, que as aquece. Ela afirma que o ano de 2012 está “traçando um caminho” para ficar entre os dez mais quentes da história.

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Embora os dados mostrem a ocorrência de temperaturas mais altas que a média esperada em todas as partes do mundo, foram nas regiões próximas ao pólo norte, especialmente o Ártico onde pode-se notar um aumento maior da média.

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“Em geral, o Ártico está esquentando o dobro da taxa das latitudes mais baixas. Apenas algumas semanas atrás, o gelo marinho no Ártico atingiu a menor extensão já registrada e ainda continua a diminuir”, disse ao iG .

Verões mais quentes
Os Estados Unidos vivenciaram o terceiro verão mais quente da história. E de acordo com o NOAA as altas temperaturas foram ocasionadas pelo fenômeno La Niña, que terminou em maio.

“As condições atmosféricas continuam muitas vezes semelhantes aos padrões do La Niña e depois se dissipam”, disse Jake Crouch, do NOAA. Ele explica que durante o fenômeno os EUA tendem a ser mais quente e seco do que a média. O clima mais quente e seco durante a primavera, de março a junho de 2012, criou base para a grande seca que impactou o país no verão, aumentando as temperaturas.

A tendência de aquecimento aumenta as chances de que no futuro haver verões ainda mais quentes que o deste ano. “Isso não significa necessariamente que cada verão será tão quente quanto o anterior. Os próximos verões podem ter temperaturas mais altas ou mais baixas que a média esperada. Porém, a expectativa é que a tendência de aquecimento continue no futuro”, disse.

Batendo recordes
Nove dos dez anos mais quentes já registrados no mundo ocorreram durante o século 21 (o terceiro ano mais quente no registro é de 1998). Os anos de 2010 e 2005 são os dois mais quentes. As últimas três décadas foram as mais quentes no registro, sendo os anos 2000 os mais quentes, seguido de 1990 e 1980.

Como consequência do aumento da temperatura, especialistas afirmam que é esperado que eventos como secas, enchentes e ondas de calor podem se espalhar pelo mundo. “Eventos extremos devem se tornar mais generalizados com as mudanças climáticas. Porém, não é fácil prever quando nem quais regiões do mundo passaram por tais eventos”, disse .

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