Sociedade britânica divulga lista das 100 espécies mais ameaçadas de extinção

Relatório quer chamar a atenção ao direito de sobrevivência de animais, fungos e plantas para além de sua utilidade ao homem. Cinco animais brasileiros estão na lista

iG São Paulo | - Atualizada às


Grupos internacionais de conservação divulgaram uma lista das 100 espécies de animmais, plantas e fungos ameaçados de extinção, e dizem que são necessárias ações urgentes para protegê-las. Entre as 100, estão cinco animais brasileiros: um macaco da Floresta Atlântica, um pássaro da Chapada do Araripe, no Ceará, um roedor e duas borboletas

Os grupos identificaram as espécies no relatório Priceless or Worthless? (em português, Sem Preço ou Sem Valor?) apresentado pela Sociedade Zoológica de Londres (ZSL) nesta terça-feira (11) em um fórum global de conservação organizado pela União Internacional de Conservação da Natureza (na sigla em inglês IUCN) em Jeju, na Coreia do Sul.

É a primeira vez que mais de 8 mil cientistas reúnem-se para avaliar os animais, plantas e fungos mais ameaçados ao redor do globo. As espécies estão espalhadas por 48 países e muitas delas foram descobertas poucos anos atrás, e já estão ameaçadas.

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Segundo Jonathan Baillie, diretor de conservação da ZSL, as espécies foram escolhidas por não terem benefícios óbvios aos seres humanos, e portanto, mas facilmente desprezadas. "Os movimentos de conservação e doadores estão cada vez mais tendendo a uma abordagem utilitária, na linha 'o que a Natureza pode fazer por nós', na qual as espécies e habitats são valorizados e priorizados pelos serviços que fornecem ao homem. Embora isso seja importante, conservação é mais que isso. Estas espécies têm o direito de sobreviver ou nós temos o direito de levá-las à extinção?" disse o pesquisador.

"Todas as espécies listadas são únicas e insubstituíveis. Se elas desaparecerem, não haverá dinheiro que as traga de volta", também afirmou Ellen Butcher, da Sociedade Zoológica de Londres, co-autora do relatório.

"No entanto, se tomarmos ações imediatas, podemos dar a elas chances de lutar pela sobrevivência. Mas isso requer que a sociedade apoie a posição moral e ética de que todas as espécies têm direito de existir."

Um dos destaques da lista é o muriqui-do-norte, maior macaco das Américas, só encontrado na Mata Atlântica, no Sudeste do país. A população é calculada em menos de mil macacos, principalmente em algumas dezenas de reservas privadas e do governo.

"O desmatamento em larga escala e um passado de corte seletivo de madeira reduziu o ecossistema único do muriqui-do-norte para uma fração de sua extensão original, e as pressões de caça também afetaram as populações locais", disse o relatório.

A publicação cita também o soldadinho-do-araripe, uma ave de cerca de 14 centímetros que vive apenas na Chapada do Araripe, no Ceará. A população é calculada em 779 indivíduos. O relatório afirma que a principal ameaça é a "destruição do hábitat devido à expansão da agricultura, unidades de recreação e parques aquáticos."

A Cavia intermedia , uma espécie de preá que existe apenas nas Ilhas Moleques do Sul, em Santa Catarina, tem população de apenas 40 a 60 indivíduos, segundo a instituição baseada em Londres, que sugere que haja mais fiscalização ao parque estadual onde estão as ilhas, além de regulamentação do acesso à área.

A lista de 100 espécies mais ameaçadas inclui ainda a borboleta Actinote zikani , que vive na Serra do Mar, perto de São Paulo, e a Parides burchellanus , com uma população de menos de 100 indivíduos no Cerrado brasileiro. 

Especialistas dizem que esforços bem dirigidos de conservação conseguem prevenir a extinção das espécies na maioria dos casos. 

Veja a lista completa das espécies com seus nomes científicos:

Abies beshanzuensis

Actinote zikani

Aipysurus foliosquama

Amanipodagrion gilliesi

Antilophia bokermanni

Antisolabis seychellensis

Aphanius transgrediens

Aproteles bulmerae

Ardea insignis

Ardeotis nigriceps

Astrochelys yniphora

Atelopus balios

Aythya innotata

Azurina eupalama

Bahaba taipingensis

Batagur baska

Bazzania bhutanica

Beatragus hunteri

Bombus franklini

Brachyteles hypoxanthus

Bradypus pygmaeus

Callitriche pulchra

Calumma tarzan

Cavia intermedia

Cercopithecus roloway

Coleura seychellensis

Cryptomyces maximus

Cryptotis nelsoni

Cyclura collei

Dendrophylax fawcettii

Dicerorhinus sumatrensis

Diomedea amsterdamensis

Diospyros katendei

Dipterocarpus lamellatus

Discoglossus nigriventer

Discorea strydomiana

Dombeya mauritiana

Elaeocarpus bojeri

Eleutherodactylus glandulifer

Eleutherodactylus thorectes

Eriosyce chilensis

Erythrina schliebenii

Euphorbia tanaensis

Eurynorhynchus pygmeus

Ficus katendei

Geronticus eremita

Gigasiphon macrosiphon

Gocea ohridana

Heleophryne rosei

Hemicycla paeteliana

Heteromirafra sidamoensis

Hibiscadelphus woodii

Hucho perryi (Parahucho perryi)

Johora singaporensis

Lathyrus belinensis

Leiopelma archeyi

Lithobates sevosus

Lophura edwardsi

Magnolia wolfii

Margaritifera marocana

Moominia willii

Natalus primus

Nepenthes attenboroughii

Neurergus kaiseri

Nomascus hainanus

Oreocnemis phoenix

Pangasius sanitwongsei

Parides burchellanus

Phocoena sinus

Picea neoveitchii

Pinus squamata

Poecilotheria metallica

Pomarea whitneyi

Pristis pristis

Prolemur simus

Propithecus candidus

Psammobates geometricus

Pseudoryx nghetinhensis

Psiadia cataractae

Psorodonotus ebneri

Rafetus swinhoei

Rhinoceros sondaicus

Rhinopithecus avunculus

Rhizanthella gardneri

Rhynchocyon spp.

Risiocnemis seidenschwarzi

Rosa arabica

Salanoia durrelli

Santamartamys rufodorsalis

Scaturiginichthys vermeilipinnis

Squatina squatina

Sterna bernsteini

Syngnathus watermeyeri

Tahina spectabilis

Telmatobufo bullocki

Tokudaia muenninki

Trigonostigma somphongsi

Valencia letourneuxi

Voanioala gerardii

Zaglossus attenboroughi

(Com informações da AP e da Reuters)

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