Falha na lei prejudica reflorestamento em São Paulo

Estrada-parque da Zona Leste deveria ter 23 vezes mais árvores que Ibirapuera, para compensar a ampliação da Marginal Tietê, mas contrapartida foi feita em construção

Agência Estado |

Agência Estado

Construída para compensar os danos ambientais da ampliação da Marginal do Tietê, a estrada-parque da zona leste deveria ser hoje a maior área verde pública de São Paulo, com 23 vezes mais árvores do que o Parque do Ibirapuera, na zona sul. Mas a Dersa Desenvolvimento Rodoviário S.A, empresa de economia mista fundada com o Estado de São Paulo, responsável pela via que custou R$ 79 milhões e exigiu o corte de 8.137 árvores, 60% delas nativas, só replantou o mesmo número de espécies retiradas.

Leia também:
São Paulo perde 14 árvores por dia
Brasil perde para outros Brics na hora de proteger suas florestas
Mata Atlântica perdeu 133 km2 de área em 2011
Projeto florestal no Brasil recebe 1o certificado de carbono

Outras 330 mil mudas que deveriam suprimir o impacto do corte feito durante a construção foram compensados com a obra da própria estrada. Os registros oficiais dos cortes, remoções e plantios de mudas estão em pesquisa inédita apresentada na Universidade de São Paulo (USP) e obtida pelo jornal O Estado de S.Paulo .

A estrada-parque deveria ser uma compensação pelas 717 árvores retiradas para a construção das novas pistas da Marginal e pelos 19 hectares (30 campos de futebol) de solo impermeabilizados. Mas, durante a obra da estrada e de sua ciclovia foram autorizados pela Secretaria Municipal do Verde o corte de mais de 8 mil espécies, mais da metade de árvores nativas como Capororocas, Leucena, Guaçatomba e Quina-do-Mato. A compensação exigida era o replantio de 338.011 mudas, no mesmo local, de espécies nativas.

"Uma falha da lei de compensações é permitir que parte da contrapartida ambiental seja paga em obras. No caso da estrada-parque, a própria estrada virou a compensação no lugar de mais de 300 mil mudas. É como se uma empreiteira construísse um prédio e dissesse que a própria obra era uma compensação pelas árvores retiradas", afirmou a pesquisadora Luciana Shwandner Ferreira, da Faculdade de Arquitetura da USP, autora do levantamento.

A reportagem percorreu a estrada-parque e constatou que a maior parte das mudas plantadas no final de 2009 na via, adjacente à Rodovia Ayrton Senna e ao Parque Ecológico do Tietê, alcançou menos de 1 metro. Poucas pessoas circulam pela estrada-parque e pela ciclovia, cujo trecho final, até Itaquaquecetuba, segue incompleto. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo .

    Leia tudo sobre: reflorestamentosão paulomarginal tietê

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG