Cidades agem para ampliar ações da Rio+20

Reunião mundial de grupo de cidades que querem combater mudanças climáticas na quinta-feira em São Paulo serviu como contraponto ao pessimismo do encontro ambiental de junho

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Em balanço da Rio+20 realizado na quinta-feira (23) em São Paulo, a frustração pela falta de ações práticas e a fragilidade do documento final assinado pelos países contrastaram com o otimismo do grupo de cidades que forma a Rede C40 . Pouco mais de dois meses após o evento, especialistas do País e do exterior reforçaram as mesmas preocupações no encontro organizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

"Perguntavam para mim sobre o fracasso da Rio+20 antes mesmo de o evento acontecer. Mas é ingênuo achar que soluções complexas se resolvem em alguns eventos ou mesmo em uma década. O equacionamento das questões deve levar, pelo menos, mais dez anos", diz Paulo Artaxo, físico da USP e membro do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC).

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Na opinião do pesquisador, o fato mais evidente foi a falta de governança por parte da ONU para implementar políticas globais. O evento no Rio, avalia Artaxo, não foi muito diferente de encontros anteriores realizados em cidades como Durban, na África do Sul, e Copenhague, na Dinamarca. "Em termos de visibilidade, as atuais ondas de calor nos EUA e na Europa têm muito mais impacto que qualquer evento como a Rio+20", afirma.

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Intitulado O Futuro Que Nós Queremos, o documento final assinado por 193 países é considerado o produto dessa falta de acordo. "O documento não possui metas de eficiência energética ou de uso de energias renováveis. Além disso, contém termos como ‘tecnologias de combustível fóssil mais limpas’, algo discutível", diz Marcelo Moreira, pesquisador do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone).

Otimismo
O discurso do pesquisador Adalberto Maluf, diretor da C40 no País, foi um dos poucos que fugiram do tom pessimista. Elogiada durante a Rio+20, a iniciativa de prefeitos de 58 metrópoles ganhou visibilidade desde então e trabalha na ampliação do projeto. "Diversas entidades entraram em contato, mas damos prioridade à ideia de ser uma ação das cidades voltada para as próprias cidades. Por isso, queremos atingir cem cidades até 2025", afirma Maluf.

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Ele explica que o foco da entidade está no lançamento de redes temáticas. Cidades que possuem bons exemplos em determinadas áreas ambientais terão um contato mais próximo com capitais que enfrentam dificuldades. São Paulo, segundo ele, é apresentada como modelo de legislação ambiciosa no setor, ainda que pouca coisa tenha sido colocada em prática. O principal desafio, por outro lado, é aprimorar a questão da mobilidade.

Além de São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba são as cidades brasileiras que participam do projeto. "Trabalhando de forma mais localizada, os prefeitos têm mostrado maior engajamento que os líderes mundiais. Nossa atenção agora está voltada para a Ásia, especialmente nas grandes metrópoles da China." Fundada em 2005, a Rede C40 reúne atualmente 58 cidades que se comprometem a reduzir emissões de gases do efeito estufa e mitigar os riscos climáticos nas próximas décadas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. 

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