Ativistas do Greenpeace escalam plataforma de petróleo russa no Ártico

Grupo da ONG quer protestar contra exploração de petróleo e gás na região, que tem um ecossistema frágil

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Grupo de ativistas do Greenpeace, incluindo seu chefe mundial, invade plataforma russa no Ártico

Seis ativistas do Greenpeace escalaram uma plataforma de petróleo da Gazprom no Ártico, nesta sexta-feira (24), com a intenção de permanecer lá para protestar contra os planos da gigante de energia russa de explorar a frágil região, disse o grupo ambiental.

Os ativistas, incluindo o chefe mundial do Greenpeace, Kumi Naidoo , subiram na plataforma no campo de petróleo Prirazlomnoye depois de usarem lanchas infláveis para chegar ao local, a partir de um navio do Greenpeace que os levou até as proximidades, às 4h da manhã do horário local (21h de quinta-feira no horário de Brasília).

"Molhado, com frio, sentado ao lado de uma plataforma de petróleo no Ártico russo", escreveu Naidoo em seu Twitter, após o Greenpeace afirmar que os ativistas "assumiram posições" sobre a plataforma e tinham suprimentos suficientes para vários dias.  Veja o vídeo da ação:


Nele, o chefe de campanha Dima Litvinov, diz: "Este é o rosto da destruição do Ártico. Prirazlomnaya é a primeira plataforma permanente e resistente a gelo do Ártico. É o perfeito exemplo, a personificação da industrialização crescente desta área intocada. E especialmente, com toda a informação que temos sobre o declínio do gelo no Ártico , é uma obscenidade. É um insulto que as mesmas empresas que são responsáveis por esta crise agora querem lucrar com ela". 

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O campo de Prirazlomnoye, o primeiro empreendimento russo de exploração de petróleo em águas profundas no Ártico, tem sido afetado por atrasos, estouros de orçamento e dificuldades de construção das plataformas. A expectativa é de que o petróleo comece a fluir apenas na virada do ano.

"A única maneira de evitar que um derramamento de óleo catastrófico aconteça neste ambiente único é proibir definitivamente toda a perfuração agora", disse Naidoo da plataforma no mar Pechora, de acordo com o Greenpeace.

A Gazprom disse que os ativistas tinham violado uma zona de segurança de navegação de 500 metros ao redor da plataforma no mar Pechora, a parte sul do mar de Barents, na costa norte da Rússia.

"Eles foram convidados a subir à plataforma para conduzir um diálogo construtivo", mas recusaram, disse a companhia em um breve comunicado. A empresa disse que o trabalho continuava como de costume na plataforma.

Estima-se que Prirazlomnoye abrigue reservas de 526 milhões de barris e o sucesso em iniciar exploração de petróleo do Ártico é visto como vital para sustentar a condição da Rússia de maior produtor de petróleo do mundo.

Mas ambientalistas dizem que as condições extremas do Ártico --isolamento, ecossistemas frágeis, a escuridão, as temperaturas abaixo de zero, gelo e ventos fortes-- podem criar entraves para operações de emergência em caso de um derramamento de óleo.

Acredita-se que o Ártico abrigue pelo menos 32 por cento das reservas de gás e petróleo não descobertos no mundo e a região está se tornando mais acessível à medida que o aquecimento global derrete o gelo do mar.

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