Dilma sobre Rio+20: “O Brasil é responsável pelo consenso”

Presidenta elogia texto final da conferência e diz que Fundo Verde será criado voluntariamente  entre países

Valmir Moratelli iG Rio de Janeiro | - Atualizada às

Apesar de tantas críticas em torno do texto final da Rio+20 , o tom dado pela presidenta Dilma Rousseff foi de satisfação. A presidenta falou à imprensa na tarde desta sexta-feira (22), no Riocentro, momentos antes de se dirigir à plenária onde discursaria no encerramento da Rio+20. “Eu vejo com normalidade a manifestação da sociedade civil em criticar, em opinar. O que se trata aqui? É uma conferência entre países soberanos, consenso histórico. O Brasil é o responsável por se chegar a este consenso tão difícil no momento”, disse.

Rio+20 termina com um trilhão de reais em acordos

Para Dilma, o maior avanço está no enfraquecimento do PIB como indicador de crescimento dos países. “O maior avanço do texto, uma conquista, é que não se pode medir crescimento apenas com o PIB. Tem que se calcular o crescimento social. Pela primeira vez vamos começar a ver de outra forma este crescimento”.

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Ela também defendeu a criação de um Fundo Verde, proposta retirada do texto final por pressão dos países desenvolvidos, que seria usado para financiar a sustentabilidade em nível global. “Participei semana passada da reunião do G-20 e vi algo fantástico acontecer por lá, no México. Os Brics colocaram 75 bilhões de dólares no FMI. Com o Fundo Verde, penso eu, deve ser o mesmo. É uma ajuda voluntária, devemos caminhar nesta direção.”

Seguem os principais trechos da entrevista coletiva da presidenta.

Críticas à Rio +20

“Eu vejo com normalidade a manifestação da sociedade civil em criticar, em opinar. O que se trata aqui? É uma conferência entre países soberanos. No passado, havia uma bipolaridade dominante no mundo, dentro de uma guerra fria. Depois houve a predominância de apenas um lado, o unilateralismo. Atualmente vivemos, e é importante entender isso, o multilateralismo. É o que se chama de consenso histórico. O Brasil é o responsável por se chegar a este consenso tão difícil no momento”.

Copenhague sem acordo

“Em 2009, em Copenhague, não houve consenso algum. Talvez porque fosse o momento de maior acirramento de conflitos. Agora construímos um ponto de partida, incluindo deveres como a erradicação da pobreza, a preservação da biodiversidade... A partir de agora o que temos que fazer é exigir que se avance cada vez mais. A próxima conferência deverá dar um passo à frente”.

Multilateralismo e internet

“Todo consenso é uma construção. O Brasil se orgulha de ter organizado de forma magnífica a Rio+20, com a mais ampla participação popular que já foi feita. Usamos a internet como ferramenta primordial para a multiplicidade de ideias, inclusive as que nos criticavam. É a demonstração de maturidade do mundo. Mudamos o patamar do multilateralismo”.

Importância de um texto final

“A importância de se chegar a um documento final escrito é que ninguém pode chegar depois e esquecer o que foi decidido. Estão ali escritos os pontos acordados. Os países desenvolvidos não queriam que se colocassem em pauta o financiamento da sustentabilidade em países em desenvolvimento. O mundo não é mais do pensamento único. Chegamos a este consenso. Mostramos que um país emergente é capaz de fazer uma reunião de alto nível com este porte da Rio+20, além de apresentar um texto final de consenso entre os mais diferentes países do planeta”.

Críticas de Ban Ki-moon

“O secretário Geral da ONU manifestou a posição dele. Não cabe a mim, ao Brasil, analisar uma instituição como a ONU, internacional”.

Fundo Verde Voluntário

“Participei semana passada da reunião do G-20 e vi algo fantástico acontecer por lá, no México. Os Brics colocaram 75 bilhões de dólares no FMI. A África do Sul teve a generosidade de contribuir com 2 bilhões para se criar um “muro de contenção” da crise. Com o Fundo Verde, penso eu, deve ser o mesmo. O Brasil assumiu com a China o compromisso de colocar no PNUMA 6 milhões de dólares, e depois mais 10 milhões destinados a ilhas que sofrerão com mudanças climáticas. Vamos acompanhar a participação de outros países no fundo. É uma ajuda voluntária. Mas devemos caminhar nesta direção.”

Maior conquista da Rio+20

“O maior avanço do texto, uma conquista, é que não se pode medir crescimento apenas com o PIB. Tem que se calcular o crescimento social. Pela primeira vez vamos começar a ver de outra forma este crescimento, tanto de países desenvolvidos quanto os em desenvolvimento. E não é mais possível pensar em desenvolvimento sustentável sem falar em erradicação da pobreza. Não existe uma forma de crescer, mas várias formas”.

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