Comerciantes faturam mesmo com bares fechados na Rio+20

Proprietários teriam recebido dinheiro para manterem estabelecimentos próximos do Riocentro fechados durante conferência

Valmir Moratelli iG Rio de Janeiro |

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Comerciantes faturam na Rio+20

A cena chama a atenção de quem chega ao Riocentro. Os bares e restaurantes das ruas que dão acesso ao local estão fechados há dias. Fitas amarelas de interdição circundam os locais, que não recebem clientes desde sábado passado, dia 16.

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A ordem dos proprietários é não entrar em detalhes. Muitos preferem não se identificar. “Um grupo de homens da organização aí da Rio+20 chegou para conversar e pediu para que a gente não abrisse os bares. Concordamos”, disse um dos donos. O tal pedido teria como prazo final as 18h desta sexta-feira (22), após o término da Conferência da ONU.

Mesas de sinuca, churrasqueiras, mesas e cadeiras. Tudo está “interditado”. A assessoria do Itamaraty não soube informar quem teria dado a ordem para que os bares não abram. Um dos seguranças do Riocentro contou para a reportagem do iG que muitos dos presentes na Rio+20 estavam saindo para almoçar no outro lado da rua. “ Aqui dentro a comida é cara. Custa quase 40 reais um prato no almoço. Os bares estavam vendendo prato feito por 8 reais. Tinha fila na rua no primeiro dia de evento”, contou.

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Bares fechados durante a conferência

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Um restaurante improvisado, sem nome ou letreiro, chegou a funcionar numa garagem de residência no primeiro dia de evento. "Teve gente importante vindo aqui, era tudo de terno e gravata e não falava português", contou Maria do Rosário, que teve que fechar sua "garagem" para os visitantes. "Vendi mais de trinta pratos de arroaz, feijão, bife e purê de batata. Ninguém reclamou da minha comida", conta a aposentada.

Ninguém fala de valores quanto a uma possível compensação financeira que os donos de bares estariam recebendo. " Não vamos falar de valores, mas te digo que estamos felizes com a solução encontrada. Todos saimos ganhando. Os meus funcionários nem conseguiam chegar para trabalhar por causa das ruas bloqueadas. Foi o melhor para todo mundo. Se quiserem que eu continue com o bar fechado no final de semana, é só vir conversar. Vou gostar”, disse o dono do bar Point do Irmão, que também não quis informar seu nome.


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