Ban Ki-Moon ouve críticas sobre falta de liderança na Rio+20

“Mais de  100 chefes de Estado vieram e não negociaram nada entre eles”, disse diretor-executivo do Greenpeace

Anderson Dezan iG Rio de Janeiro |

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Representantes da sociedade civil falam em coletiva de imprensa como foi a reunião com Ban Ki-Moon

Trinta e seis representantes da sociedade civil que participaram da Cúpula dos Povos (evento paralelo à Rio+20 ) se reuniram na manhã desta sexta-feira (22) a portas fechadas com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon , e demonstraram para ele suas insatisfações com a falta de resultados significativos e ambiciosos na conferência sobre desenvolvimento sustentável, realizada no Rio de Janeiro. Para os representantes, faltou liderança aos chefes de Estado que participaram do evento.

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“Nossos líderes vieram aqui, falaram, mas não agiram. Eles mostraram falta de liderança”, disse Barbara Stocking, diretora da Oxfam. “Poderíamos utilizer o naufrágio do Titanic como uma analogia para o que aconteceu. Mais de 100 chefes de Estado vieram e não negociaram nada entre eles. Todas as negociações foram fechadas somente por diplomatas”, criticou o sul-africano Kumi Naidoo, diretor-executivo do Greenpeace Internacional.

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De acordo com Naidoo, que esteve na reunião com Ban Ki-Moon, o secretário-geral da ONU ouviu as queixas, mas manteve o discurso de que os resultados da Rio+20 são significativos e ambiciosos. Na quarta-feira Ban havia dito em entrevista coletiva que concordava com a percepção geral de que o documento final da conferência poderia ser mais ambicioso. Na quinta-feira, porém, voltou atrás e mudou o discurso, após ser pressionado pelo Brasil.

“A resposta do secretário-geral foi otimista, mas parece que ele ainda não ouviu o termo: o povo quer mais”, reclamou Sharan Burrow, secretária-geral da International Trade Union Confederation. “Nunca estive em uma conferência onde os chefes de Estado não sentam juntos para debater algo. Sequer uma hora foi gasta para esse debate coletivo”, completou.

Desde quarta-feira, chefes de Estado dos 193 países-membros da ONU se revezam num pódio do Riocentro para discursar sobre o que o seu país pensa sobre o desenvolvimento sustentável. Na maioria dos casos, falam para uma plenária quase que vazia, discursando apenas para a televisão e para os arquivos da ONU. Como o documento final da Rio+20 já está fechado desde terça-feira, a conferência ficou quase que sem nada para resolver nesses últimos três dias.

A encontro termina nesta sexta-feira com uma sessão plenária na qual serão aprovados (ou não) os documentos negociados nos últimos dias. O principal deles, chamado "O Futuro que Queremos", criticado pelas ONGs, foi costurado pela diplomacia brasileira. Ele poderia ter sido negociado até o último minuto da conferência, mas o Brasil pressionou para que o documento fosse fechado na terça-feira, antes da chegada dos chefes de Estado.

*com informações da agência EFE

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