Sul-americanos chamam economia verde de "novo capitalismo"

Presidente da Bolívia quer perdão de dívida externa. Rafael Correa, do Equador, pede "compensação, não caridade"

Raphael Gomide iG Rio de Janeiro |

AP
Evo Morales

Em discurso da Rio+20 , os presidentes dos sul-americanos Bolívia e Equador, Evo Morales e Rafael Correa, como de costume criticaram duramente os países ricos, lamentaram o documento final da convenção e pediram "compensação, não caridade", para as nações em desenvolvimento.

Veja a cobertura completa da Rio+20

Na opinião de bolivariana de Morales, "economia verde é o novo colonialismo contra os governos anticapitalistas".

O termo "economia verde" passou a ser discutido mas não chegou a um consenso na Rio+20. Durante as negociações, as nações menos desenvolvidas manifestaram seu temor de que o estabelecimento de uma economia verde inviabilizaria a comercialização de seus produtos, seja pela falta de tecnologia ou de competitividade, pelo encarecimento dos produtos diante das novas exigências.

Morales citou Fidel Castro - que definiu como "sábio" e "presidente e comandante de Cuba revolucionária. "Acabemos com a fome, não com o homem. Paguemos a dívida ambiental, não a dívida externa."

"Compensação, não caridade"

Para o seu colega do Equador, Rafael Correa, os países em desenvolvimento e os menos desenvolvidos precisam de "compensações, não de caridade".

"Não se trata de caridade, mas de reconhecimento das responsabilidades comuns mas diferenciadas que temos ao cuidar do planeta. Não pedimos caridade, mas compensação. Precisamos atender às necessidades de nossa gente."

O tema das responsabilidades comuns, mas diferenciadas - princípio da Rio 92, segundo o qual os países desenvolvidos devem desembolsar mais que os demais - foi um dos mais assuntos de maior tensão na Rio+20. De um lado os ricos alegavam que no mundo de hoje isso não se aplica mais, de outro os pobres continuam a demandar ajuda para erradicar a pobreza.

"Para mudar a matriz energética teremos de de manter áreas protegidas e não temos recurso para efetivamente protegê-las. Para continuar com esse consumo atual, precisaríamos de cinco planetas", afirmou Correa.

O Equador propôs ainda uma Declaração de Direitos da Natureza, que não foi encampada pelo documento final da Rio+20.

Veja na calculadora do iG quais são os fatores do seu dia a dia que mais causam impacto na atmosfera

"A natureza não é um objeto, tem direitos a serem respeitados, ciclos vitais, processos evolutivos. A se levar em conta os socorros milionários aos bancos, imagino como seria se a situação fosse contrária. Se a Amazônia fosse nos países ricos e nós a consumíssemos, já teríamos sido invadidos", disse Correa.

O presidente do Equador criticou ainda os chefes de Estado de países desenvolvidos ausentes por não participarem da Rio+20. "Por prepotência e arrogância, 80% deles não vieram a essa cúpula, porque 'não é importante'. E continuará assim até que mude essa relação."

    Leia tudo sobre: Rio+20Rio20Evo Morales

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG