Marina Silva: “Rio+20 esmaeceu memória da Eco 92”

Ex-ministra do Meio Ambiente acredita, no entanto, que ainda há tempo para rever documento da Rio+20

Carla Falcão iG Rio de Janeiro |

A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva declarou, nesta quinta-feira (21), que ainda acredita na possibilidade de o documento da Rio+20 ser modificado a fim de incluir pontos importantes que foram deixados de lado.

Veja o especial da Rio+20

“Se, além da sociedade civil, até mesmo o secretário geral da ONU e parte dos países envolvidos na discussão declararam que não estão satisfeitos com o texto, qual é o pretexto para não alterar o documento? Os chefes de Estado têm poder para isso”, disse Marina, que é uma das signatárias do documento “A Rio + 20 que não queremos”, que será entregue aos chefes de Estdo.

Para Marina, ao menos dois pontos deveriam ser alterados ainda na Rio+20. O primeiro deles, diz, é a questão do financiamento. “Está claro que US$ 30 bilhões é pouco, mas ainda assim, os países não quiseram se comprometer. Mas, se estamos falando em garantir US$ 400 bilhões para a crise ecnonômica, por que não podemos viabilizar um fundo de US$ 30 bilhões para a crise ambiental, que é mais grave?”, ponderou a ex-senadora durante evento na Rio+20.

Na opinião da ex-ministra outro ponto que deveria ser revisto é a transformação do Pnuma em uma agência da ONU. Para Marina, não faz sentido negar ao Pnuma a oportunidade de se consolidar como um órgão forte dentro das Nações Unidas. Sobre os comentários de que a Conferência para o Desenvolvimento Sustentável fracassou em seus objetivos, ela avalia que a Rio+20 esmaeceu a memória da Eco 92.

Questionada sobre as declarações do governo brasileiro e, em especial da presidenta Dilma Rousseff, de que o acordo foi satisfatório, Marina destacou que o objetivo do Brasil, na Rio+20, era produzir um documento que não tomasse nenhuma decisão. “Como o objetivo foi atingido, quem traçou essa meta só poderia ter ficado satisfeito”, criticou.

Primavera árabe

Segundo a ex-ministra, o Brasil tem todas as condições de liderar uma nova agenda voltada para a sustentabilidade. O problema, ressaltou, é que isso precisa ser uma decisão política e “infelizmente essa decisão política ainda não foi tomada”.

Marina exortou os jovens que assistiam sua palestra a seguir o exemplo da primavera árabe para pressionar os governos e defender o meio ambiente. “Se os chefes de Estado não mudarem nada, vamos voltar para nossas casas, universidades e empresas com o compromisso de fazer algo, porque não podemos entregar o futuro na mão de quem resolve não decidir”, afirmou.

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