Hollande propõe imposto para bancar desenvolvimento sustentável

Taxa seria sobre transações financeiras. Em discurso crítico, presidente francês diz que "ninguém vai ganhar à custa do outro", pede união e visão global para garantir "presença eterna dos humanos"

Raphael Gomide e Natasha Madov iG Rio de Janeiro e enviada ao Rio |

Berg Silva/ Divulgação Hotel Windsor Barra
O presidente francês, François Hollande com Dilma Rousseff

Em um discurso forte e interrompido por aplausos duas vezes, o presidente da França, François Hollande, propôs um imposto sobre transações financeiras para aplicar em desenvolvimento sustentável.

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Em diversos momentos, Hollande manifestou sua grande insatisfação com o documento final da Rio+20 , que chamou de "decepcionante". Em entrevista anterior ao discurso, dissera que tinha vindo para demonstrar "esperança".

"Propomos a criação de um imposto sobre transações financeiras, com uma parte destinada ao desenvolvimento sustentável." Neste momento, Hollande foi aplaudido por boa parte do plenário.

A proposta é uma alternativa à rejeição à criação a um mecanismo efetivo de financiamento do desenvolvimento sustentável. "Lamento que a proposta inovadora de financiamento do desenvolvimento sustentável não tenha tido concordância dos países. Se não juntarmos novos financiamentos aos mecanismos já existentes não será suficiente", disse.

Além desse, a não-elevação do status do Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) a uma agência especializada também desagradou fortemente o país e a União Europeia. "Este era um objetivo muito caro à França e seria a melhor maneira de pôr todos os objetivos no mesmo lugar, porque essa agência ficaria em Nairóbi (Quênia), na África, o que seria uma confirmação do lugar do continente no mundo", afirmou.

Ao abrir o discurso, Hollande deu uma aparente espetada nos chefes de Estado ausentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e do Reino Unido e da Alemanha, David Cameron e Angela Merkel, primeiros-ministros.

"Quis vir pessoalmente em nome da França, uma das nações que dão o exemplo, e assumir compromissos", disse, com o ânimo típico de presidente recém-eleito.

Embora tenha enxergado pontos positivos, ele afirmou ver avanços sobre o tema oceanos, no debate sobre economia verde e a declaração pela luta contra a pobreza.

"São resultados apreciáveis, assim como a mobilização da sociedade, senão não haveria tomada de consciência. Mas venho dizer que esse resultado apreciável é, porém, decepcionante, diante das expectativas."

Em uma crítica a uma visão conflitiva entre os países - que opôs os ricos e, em especial os Estados Unidos, àqueles em desenvolvimento em boa parte das discussões do texto a Rio+20 - Hollande disse que "ninguém vai ganhar à custa do outro".

"Desenvolvimento sustentável não é entrave, mas oportunidade"

"A batalha do meio ambiente deve ser de todos. Não devemos fomentar uma oposição Norte/Sul nem Ocidente/Oriente. O desenvolvimento sustentável é uma causa planetária, vital para todos. A crise que atravessamos não é só econômica, e devemos lutar contra ela com todas as ferramentas. O desenvolvimento sustentável não é um entrave, mas uma oportunidade", disse o presidente francês.

Hollande terminou o discurso com uma declaração dramática.

"Precisamos lutar internamente, mas ter uma preocupação continental e mundial, muito além de nacional. Precisamos de uma visão pública e planetária. Somos mortais, mas nossa dignidade e condição devem ser de forma a que garantamos a presença eterna do ser humano."

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