EUA vencem queda de braço e estão satisfeitos com texto da Rio+20

País fez prevalecer sua visão sobre pontos de impasse, descartando fundo global, transferência de tecnologia e transformar o Pnuma em agência

Raphael Gomide e Maria Fernanda Ziegler |

Satisfeito com o documento final da Rio+20 , que atendeu aos Estados Unidos na maior parte de suas posições, negociador-chefe dos Estados Unidos, Todd Stern era todo elogios ao texto final, aprovado nesta terça-feira.

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“Os negociadores brasileiros foram muito hábeis. Eles foram ótimos, não só porque o documento foi tão bom para os EUA, mas porque é mesmo muito difícil (chegar a um consenso)”, disse, em entrevista coletiva no Riocentro.

Não por acaso, a delegação dos EUA foi uma das poucas a não fazer reparos, de acordo com a ONU. Os EUA fizeram prevalecer sua visão nos principais pontos de impasse durante as negociações: foi descartado o fundo de US$ 30 bilhões anuais para financiar o Desenvolvimento Sustentável; o Pnuma não teve o status elevado ao nível de agência especializada da ONU, e a transferência de tecnologia dos paaíses ricos aos mais pobres, como pretendiam as nações em desenvolvimento, avançou pouco no documento.

Muito criticado por União Europeia e países africanos, o documento, apresentado hoje na Rio+20, não vislumbra essas propostas. Daí por que os EUA estão sendo vistos como os grandes vencedores das negociações.

“Não temos nada para mudar [no documento], até porque não esperamos que ele seja aberto”, disse Stern mostrando contentamento com o resultado do documento. Brasil e ONU afirmaram que o documento apresentado não deve sofrer alterações pelos chefes de Estado, que se reúnem no segmento de alto nível, a partir desta quarta (20) até sexta (22).

Única crítica

A única crítica que Stern fez ao texto foi em relação ao conceito de “responsabilidades comuns, mas diferenciadas”, apresentado na Rio 92 e reafirmado na Rio+20, segundo o qual os países desenvolvidos devem arcar com a maior parte dos custos. “Acredito que a orientação do documento poderia ser diferente e reconhecer que o mundo está mudando, que não há mais só países desenvolvidos e em desenvolvimento”, afirmou Stern.

"Se em algum momento, isso fez sentido, já não faz mais no contexto em que o mundo está se desenvolvendo de forma tão dinâmica e rápida e onde algumas das maiores economias e usuárias de recursos - no mundo de mudanças climáticas, os maiores produtores de gases de efeito-estufa - estão o lado dos países em desenvolvimento", já dissera, em entrevista no fim de semana.

Sobre o fundo de US$30 bilhões, Stern afirmou que é preciso olhar para os países que mais se desenvolveram recentemente no mundo. “A maioria dos casos se consolidou por causa de dinheiro externo. O desenvolvimento veio de dentro com reformas em educação, por exemplo”.

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