“Esperei um táxi por duas horas”, conta participante estrangeira da Rio+20

Estrangeiros contam ao iG como tem sido a receptividade na cidade que vai receber Copa, Olimpíadas e Jornada Mundial da Juventude

Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro |

Anderson Dezan
A norte-americana Tamara Rose Roske com os filhos. Ela reclamou da demora em se conseguir um táxi
Para o setor turístico do Rio de Janeiro, a conferência Rio+20 está sendo considerada como a primeira “prova de fogo” no quesito infraestrutura para receber estrangeiros. A cidade está repleta de turistas que vieram para a conferência ambiental da ONU.

Como a capital fluminense ainda vai receber outros grandes eventos nos próximos anos, entre eles a Jornada Mundial da Juventude (2013), a Copa do Mundo (2014) e as Olimpíadas (2016), a reportagem do iG foi ouvir o que alguns desses estrangeiros estão achando da receptividade no Rio neste primeiro teste.

A norte-americana Tamara Rose Roske veio acompanhar veio acompanhar o filho Xiuhtezcatl Martinez, 12 anos, nos eventos ambientais que acontecem no Rio. O menino é um dos líderes da ONG juvenil Earth Guardians e foi convidado a fazer apresentações na Rio+20, Cúpula dos Povos e Youth Blast. Segundo ela, sua maior dificuldade até o momento foi a locomoção com táxis.

“Está difícil chegar e sair dos eventos. Pedimos táxi e os motoristas não sabem onde nos encontrar. No domingo, liguei para um empresa e fiquei esperando por um táxi por duas horas [no Riocentro]. Acabei desistindo e pedi a ajuda para um amigo vir me buscar”, contou ela.

No Aeroporto Internacional do Galeão, Tamara também passou por uma situação confusa. “Fui a um restaurante com duas amigas e meus dois filhos. Pedi café com creme só para as três adultas e trouxeram cinco. Informamos que as crianças não bebem café e cobramos o creme. Não sei o que entenderam, mas trouxeram um pote com creme para as crianças”, relembrou, rindo.

Anderson Dezan
A colombiana Diana Rodriguez (à direita) disse ter enfrentado problemas no aeroporto de Guarulhos (SP)
Assim como Tamara, a colombiana Diana Rodriguez enfrentou também problemas no aeroporto, mas no de Guarulhos. A administradora ambiental chegou ao País no sábado pelo terminal paulista e encontrou dificuldades para conseguir informações. “Não sabiam como deveria proceder para participar da Rio+20. As informações foram surgindo aos poucos, conforme fui pedindo ajuda a algumas pessoas na rua”, disse.

No Rio, Diana está acampada na Cúpula dos Povos, no Aterro do Flamengo, zona sul da cidade. Para se deslocar de lá até o Riocentro, na zona oeste, ela utiliza um ônibus fretado pela ONU. “A conferência oficial da Rio+20 está muito longe do centro. Achei isso ruim. Pegamos muito trânsito para chegar”, avaliou.

Sobre o evento no Riocentro, ela considerou bem organizado, com ar-condicionado funcionando, sinalização eficaz, atendentes que falam outras línguas, cardápios bilíngues e câmbio para pagar refeições. Na praça de alimentação só encontrou uma ressalva: o valor da comida. “Está tudo muito caro. A ONU deveria garantir a alimentação das pessoas que vêm para a conferência”, opinou.

Para Diana, mesmo com esses imprevistos, sua comunicação é facilitada por ela falar espanhol, língua próxima ao português. O chinês Yang Liu não conta com essa facilidade. Acompanhados de amigos, o universitário chegou no último dia 10 ao Rio e, desde então, tem utilizado a linguagem corporal frequentemente.

“É dificil encontrar motoristas que falem inglês. Geralmente mostramos no mapa onde queremos ir e usamos mímicas, é o jeito!“, contou bem-humorado o jovem, que está hospedado em um albergue em Botafogo, bairro da zona sul. “No aeroporto também foi difícil encontrar alguém para me ajudar, mas acabei achando alguém”, completou.

Esses contratempos, no entanto, não desanimam o chinês que visita o Brasil pela primeira vez. “O Rio é lindo e as pessoas são muito afetuosas. Ouvia falar que a cidade não era muito segura, me pediram para tomar cuidado, mas não encontrei nada disso. Mesmo com esses pequenos problemas, quero voltar outras vezes”, disse, sorrindo.

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O chinês Yang Liu usa a linguagem corporal para se comunicar

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