“Documento final é uma grande decepção”, diz WWF

Para a líder global da ONG, Samantha Smith, acordo fechado hoje evidencia falta de compromisso dos governos com a questão da sustentabilidade

Carla Falcão iG Rio de Janeiro |

Divulgação
Samantha Smith

“Estou completamente decepcionada com o documento fechado hoje na Rio+20 ”, resumiu a líder global para a iniciativa de Clima e Energia da ONG WWF, Samantha Smith. Em entrevista ao iG , Samantha foi contundente ao criticar o posicionamento adotado pelos governos dos países ricos, que, segundo ela, sequer compareceram à conferência das Organização das Nações Unidas (ONU).

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“Nós tínhamos a esperança de que os governos, sobretudo dos países desenvolvidos, viessem para esta conferência a fim de apresentar compromissos desafiadores em prol da sustentabilidade. E o que vemos é que os governos não estão dispostos a se comprometerem ou a se engajarem nesta causa. Pelo documento, o máximo que se comprometeram a fazer é avaliar, estudar e considerar possíveis soluções, afirmou Samantha durante o Business Day, evento paralelo à Rio+20.

Para Samantha, a justificativa de que o mundo está em crise e que faltam recursos para investir em sustentabilidade não é válida. Segundo ela, é preciso adotar uma perspectiva global ao avaliar a crise econômica, uma vez que o conceito de pobreza é bastante relativo.

Europa e EUA ainda têm muito dinheiro

“Não quero ser arrogante ou fazer pouco caso das pessoas desempregadas na Grécia ou na Espanha, mas, ainda há uma grande diferença entre essa situação e a realidade de quem vive com menos de dois dólares por dia. A Europa, a despeito de passar por uma crise econômica, ainda é muito rica em comparação a outros países”, afirmou.

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Na opinião da líder da WWF, Estados Unidos, Canadá, Japão, Inglaterra e Europa ainda têm muito dinheiro, o que comprova que não se trata apenas de recursos, mas de falta de vontade de se comprometer. Por outro lado, diz, os países em desenvolvimento estão fazendo o que precisa ser feito.

“A China tem feito bastante no que diz respeito ao clima, pois estabeleceu uma série de metas para o setor de energia. Já o Brasil está se esforçando para aprovar um Código Florestal mais eficaz, depois de ter reduzido significativamente o desmatamento e a emissão de carbono”, observou.

Energia é um dos pontos fracos do acordo

Para a WWF, o texto final aprovado na manhã desta terça-feira é especialmente fraco no que diz respeito às metas para o desenvolvimento e uso de energia limpa e acessível a todos. Para ela, a promessa de oferecer energia sustentável para toda a população do mundo até 2030 é uma iniciativa válida, sobretudo se for considerado o fato de que mais de 1 bilhão de pessoas não têm acesso à energia no mundo.

No entanto, avalia a ativista, isso é muito pouco perto do que precisa ser feito nessa área. “Está claro que este é um compromisso decente. Mas, ok, vamos em frente. O que queremos, por exemplo, é garantir a redução dos subsídios para o uso de combustíveis fósseis”, disse.

A julgar pelas intervenções de executivos de grandes empresas internacionais de energia durante debate no Business Day, as discussões ainda estão bastante atrasadas. Questionados sobre o preço da energia, a grande maioria dos empresários presentes avaliou que os valores pagos pelos consumidores ainda são muito baixos. Ou seja, no que depender das companhias do setor, as contas de luz deveriam ser ainda mais altas. A justificativa é que investir em energias renováveis gera um aumento de riscos para as empresas.

Não por acaso, Samantha é igualmente crítica em relação às companhias, que, segundo ela, vivem pedindo incentivos governamentais para fazer algo que deveria ser um compromisso natural. Está claro que falta liderança política. Mas, as empresas também precisam se mexer. Uma companhia que sobrevive exclusivamente da energia produzida por carvão, por exemplo, sabe que precisa mudar, avalia.

Samantha defende que os pobres recebam energia subsidiada ou até de graça, ao passo que países e pessoas mais ricas – ou que desperdiçam energia – paguem um preço mais alto. “Quando falamos de energia, ainda há a percepção de este é um recurso infinito. E, tanto governos, quanto pessoas e empresas, precisam se conscientizar”, disse.

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