Cidades sustentáveis exigem mais criatividade do que dinheiro, diz debate

Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável, evento onde especialistas debatem sustentabilidade, aborda inovações urbanas

Valmir Moratelli (iG Rio de Janeiro) |

O canadense David Cadman, do Local Governments for Sustainability (ICLEI), começou o último debate desta segunda-feira (18) falando sobre os pré-requisitos para a sustentabilidade. “Antes de mais nada é preciso ter paz. Não dá para se pensar em projetos sustentáveis em zonas de conflito e de guerra. O outro aspecto primordial é ter investimento de capital. Mas não falo de dinheiro, visto que a infraestrutura mais barata é a da natureza. Falo de capital humano”, ponderou. O arquiteto chileno Alejandro Aravena completou o pensamento. “A palavra sustentável nada mais significa do que inovação. E o recurso mais sustentável de uma cidade são suas pessoas, quem promovem as inovações”, disse.

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As recomendações que resultarem dos Diálogos serão levadas aos Chefes de Estado e de Governo presentes na Cúpula da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), a realizada de20 a 22 de junho. No caso deste, especificamente, ficou acertado que os itens a serem levados são: promover o uso de dejetos como fonte de energia renovável em ambientes urbanos (decisão online), planejar com antecedência a sustentabilidade e a qualidade de vida dos povos (decisão do público) e promover o engajamento das comunidades locais (item dos palestrantes).

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O brasileiro Oded Grajew, do Instituto Ethos, pediu que se acrescentasse às medidas o termo “com metas mensuráveis pelos próximos dez anos”, para que dessa forma se cumpra prazos com objetivos claros. “O modelo de desenvolvimento atual é de interesses que se colocam para financiar campanhas eleitorais. Precisamos de metas concretas a médio e longo prazos’, disse Grajew.

Jaime Lerner, ex-governador do Paraná, aproveitou para trazer ao público seus pensamentos sobre o uso de transporte coletivo. “Cerca de 75% de CO2 vem das cidades. E metade disso é produzida pelos carros. O carro é o cigarro coletivo. É preciso pensar em alternativas de transporte público coletivo. O que se investiu em indústrias automobilísticas poderia melhorar a qualidade de todas as cidades do mundo”, comparou o político.

Lerner arrancou aplausos do público ao dar três conselhos para quem pensa em viver de forma sustentável em uma grande cidade. “Use menos carro, separe seu lixo e more perto do trabalho”, listou. Quanto ao investimento necessário para adaptar cidades a situações mais agradáveis de vida, ele afirmou: “Se quiser criatividade, corte um zero do orçamento. Se quiser sustentabilidade, corte dois zeros”.

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