Apesar de documento que garante acordo, EUA e UE ameaçam pedir mais tempo

Delegação brasileira, que lidera os esforços de negociação da declaração final da conferência da ONU, optou por “varrer” as polêmicas por debaixo do tapete

Natasha Madov enviada ao Rio de Janeiro | - Atualizada às

Apesar do governo brasileiro afirmar que as negociações para o documento final da Rio+20   acabam na noite de segunda-feira (18), pessoas próximas aos negociadores contaram ao iG que as delegações dos Estados Unidos e União Europeia estão pressionando para continuá-las até terça-feira, véspera da chegada dos líderes de governo à conferência de desenvolvimento sustentável da ONU.

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A União Europeia, em particular, é contra o enfraquecimento proposto pelos diplomatas brasileiros, para chegar a um documento que, mesmo sem metas ambiciosas, poderia ser fortalecido durante a apresentação aos chefes de Estado. Os europeus já teriam manifestado seu desconforto com modo como os brasileiros têm conduzido as negociações.

Até agora, mesmo temas que pareciam já resolvidos estão voltando às discussões. O trecho sobre alimentos, por exemplo, que estava praticamente fechado, recebeu duas propostas de reabertura nesta segunda-feira.

Haviam dois caminhos que a delegação brasileira poderia ter tomado em relacão ao documento final: aparar as arestas dos pontos espinhosos (como o fortalecimento do Pnuma e os meios de implementação) e deixar o documento fechado, mas o mais brando possível, ou manter as questões em aberto para serem resolvidas pelos chefes de Estado, e assim escancarar os problemas que a questão do desenvolvimento sustentável enfrenta no terreno diplomático.

O Brasil optou pelo primeiro caminho, na esperança de que alguns dos pontos possam ser fortalecidos durante o Segmento de Alto Nível. “Mas isso é muito pouco provável. Teria sido mais condizente com a realidade manter as discordâncias, mesmo correndo o risco dos chefes de Estado não se entenderem”, diz Aron Belinky, coordenador de processos internacionais do Instituto Vitae Civilis.

(colaborou Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro)

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