"A Rio+20 se tornou um fracasso épico", diz representante do Greenpeace

Medidas para alto-mar presentes no rascunho final desagradaram ativistas ambientais

Anderson Dezan , iG Rio de Janeiro |

"Os negociadores usaram 118 palavras onde poderiam ter sido usadas apenas quatro: não estamos fazendo nada". Foi dessa forma que a High Seas Alliance (HSA), grupo que reúne 25 ONGs, avaliou as medidas para o alto-mar que constam no texto final aprovado pelas delegações na Rio+20.

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Ao contrário do que era esperado, no documento, que será entregue aos chefes de Estado, não consta a sugestão de criação de uma regulamentação consistente para proteger a biodiversidade e os recursos naturais em alto-mar.

"A Rio+20 se tornou um fracasso épico. O alto-mar é a parte mais desprotegida do planeta e o Rio de Janeiro desperdiçou a oportunidade de iniciar um acordo com a ONU. O mar é o suporte para a vida no planeta e merecia mais", avaliou Miko Schwartzaman, do Greenpeace.

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A sugestão de criação da regulamentação que estava sendo aguardada foi impedida por oposições de negociadores dos Estados Unidos, Japão, Rússia, Canadá e Venezuela. O rascunho final aprovado destaca apenas a importância do uso sustentável da biodiversidade marinha, firmando compromisso de trabalhar esse aspecto e de desenvolver um instrumento internacional para lidar com o assunto.

Os negociadores dos EUA foram resistentes nas medidas de regulação do alto-mar por questões de segurança interna, já que o país dispõe de submarinos localizados em regiões estratégicas em águas oceânicas. "Passou o tempo em que as necessidades internacionais impulsionavam as políticas. Temos que agir em conjunto", disse Alex Rogers, professor de biologia da Universidade de Oxford.

"Precisamos de cooperação multilateral e global", completou Matthew Gianni, da Deep Sea. Para ele, foi estranho ver os EUA trabalhando juntos em prol do mesmo objetivo. "Pelo visto, o presidente venezuelano aderiu ao capitalismo", ironizou.

Susan Lieberman, da Pew Environment Group, disse estar desapontada como resultado. "A conclusão que eles chegaram foi de que existem muitos problemas no alto-mar e que conversaremos sobre isso daqui a alguns anos".

Ironicamente, pela manhã, durante o último painel da série de "Diálogos para o desenvolvimento sustentável", foi aprovado que a criação de um acordo para salvar a biodiversidade em alto-mar vai ser recomendada aos chefes de Estado . A recomendação, no entanto, não tem o mesmo peso do documento fechado pelos negociadores. A série de diálogos serviu apenas para dar voz à sociedade civil, elegendo alguns temas para serem citados aos governantes.

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