À espera de público, Parque dos Atletas fechará nos próximos três dias

Difícil acesso, comida cara e calor intenso diminuem interesse sobre um dos locais da Rio+20. Parque fecha nesta quarta-feira (20), mas reabrirá no final de semana

Valmir Moratelli iG Rio de Janeiro | - Atualizada às

Fabrizia Granatieri
Parque dos Atletas tem público abaixo do esperado durante a conferência

O Parque dos Atletas estará fechado ao público em geral a partir desta quarta-feira (20), com acesso restrito aos credenciados e integrantes das delegações dos países que participam da Rio+20 . O público terá uma nova chance somente no próximo final de semana, quando o evento será reaberto à visitação. 

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Ao contrário do que acontece no Forte de Copacabana, com o projeto Humanidades, onde filas intermináveis de público já fazem a prefeitura repensar na data final do evento, no Parque dos Atletas o que falta é exatamente isso... público. Os dez pavilhões de 37 países não chamaram a atenção – pelo menos até o momento – de quem participa da conferência da ONU na cidade. Já dá para falar que o Parque dos Atletas foi o “patinho feio” da Rio+20.

O Itamaraty não divulga o número de público que frequenta o local, mas estima-se que não passe de cinco mil. A estimativa antes do começo da conferência era de 20 mil pessoas por dia.

Fabrizia Granatieri
"Pavilhão do Brasil fica no centro do Parque, na melhor localização, por ser o país anfitrião"

Longe e caro

O Parque dos Atletas tem, entre suas curiosidades tecnológicas e sustentáveis, um modelo de veículo totalmente elétrico. É no pavilhão do Japão. O da Itália, que prima pelo design, todo revestido em bambus e com placas que captam energia solar para abastecimento interno, é outro que merece ser visitado com calma.

Há praças de alimentação com uma rede de fast food, além de opção de pizzas, comida japonesa e massas. O preço é salgado. Um copo de água chega a custar R$ 5. “Paguei R$ 29 por um prato de massa simples. Acho absurdo pagar isso. E a praça de alimentação não tem ventiladores ou ar condicionado. Aqui faz muito calor. Se soubesse não teria vindo”, reclama a estudante Mary Freitas. Os atendentes não falam em inglês, o que dificulta a vida dos estrangeiros.

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Mas muitos dos que frequentam o local reclamam mesmo é do acesso. O mesmo parque abrigou o último Rock in Rio, em setembro passado. Havia esquemas especiais de ônibus na zona sul da cidade, para levar as pessoas até o local, em frente ao Riocentro. Dessa vez, não foi montado nada neste sentido. Até os exibidores têm queixas. “É bem longe de chegar. Estou hospedada em Copacabana e gasto duas horas para vir. Espero que as pessoas venham mais neste último dia”, afirma a japonesa Saito Haruka.

Interatividade verde

Sem estacionamento. Mas com vagas para bicicletas. Pensando em sustentabilidade, os organizadores tentaram incentivar a chegada das pessoas sobre duas rodas. Não deu certo. Poucas se aventuraram a percorrer grandes distâncias pedalando. O bicicletário do local permaneceu vazio desde quando foram abertos os portões, na quinta-feira (14). “Não vim de bicicleta porque demoraria horas. Se morasse aqui perto, ainda assim seria ruim. Está muito quente”, diz a carioca Marcela Alves, moradora de São Conrado.

Uma praça com frutas tropicais, árvores estilizadas para tirar fotos e guardar como recordação, debates curiosos a respeito da preservação ambiental, contato direto com a cultura de países distantes. A ideia proposta pelo Parque dos Atletas é promover a interação entre as pessoas e os expositores.

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No dos Emirados Árabes, por exemplo, não se poupou em tapetes típicos. É possível entrar descalço e caminhar tranquilamente pelo local, bem refrigerado. No do Qatar, fotos do país atraem olhares curiosos. O mesmo ocorre no do Equador, com fotografias da fauna e flora do país latino. Os organizadores do pavilhão da China tiveram o cuidado de pensar milimetricamente em cada detalhe, seguindo a orientação do Feng-Shui. Fontes de água ajudam a harmonizar o ambiente.

Fabrizia Granatieri
O pavilhão dos Emirados Árabes é um dos mais visitados no local

Nem tão verde assim

O Parque dos Atletas deveria dar o exemplo quanto ao assunto sustentabilidade, certo? Mas não é isso o que acontece. A reportagem do iG esteve no local várias vezes e, em vários momentos, observou práticas que não compactuam com as ações ecologicamente corretas. No stand da Caixa Econômica, por exemplo, em formato de navio e com direito a uma piscina com carpas, os refletores ficam ligados o tempo todo. Mesmo sob luz do sol. Desperdício de energia em plena Rio+20.

Alertada sobre as luzes acesas, uma das atendentes do pavilhão comentou que as elas permitem “mais brilho para o público ver que tem água ali”. Apesar dos corredores serem limpos constantemente, muitos dos frequentadores ignoram as inúmeras lixeiras espalhadas pelo local. Jogam lixo pelo chão, a alguns poucos metros das latas coletoras.

A partir de quarta-feira (20), quando os Chefes de Estado se reúnem no Riocentro, o Parque dos Atletas terá acesso exclusivo para as delegações. No próximo final de semana o público terá uma última chance. A visitação ficará aberta das 11h às 21h.


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