Para Cristovam Buarque, documento da Rio+20 não terá "nada de relevante"

Senador considera que evento se apega ao passado e não ao futuro. Ele propõe um tribunal internacional de crimes contra o futuro da humanidade

Raphael Gomide iG Rio de Janeiro | - Atualizada às

Agência Senado
Cristovam Buarque afirma que Rio+20 se apega ao passado e não ao futuro. Foto de 2011

O senador e ex-ministro da Educação Cristovam Buarque (PDT-DF) afirmou não acreditar que "saia nada relevante" da Rio+20, embora considere que o simples fato de acontecer a reunião "já é positivo".

"Como documento, vai ficar muito aquém do preciso. Se o encontro ficar preso aos 20 anos passado e à Rio 92 vai ser apenas um 'happening' (acontecimento). Precisa pensar os próximos 50 anos" disse.

Cristovam promove nesta segunda e terça o evento paralelo da Rio+20 "A Terra está inquieta", com a presença do filósofo francês Edgar Morin, no Sesc de Jacarepaguá, a poucos quilômetros do Riocentro.

Para o senador, o eventual fracasso não será culpa de ninguém especificamente, mas da própria natureza da política.

"A política se ocupa do curto prazo e do local, com o imediato. Obama viria aqui a três meses da eleição? Ele ganha a eleição pelo que fala sobre o imediato, não sobre os próximos 50 anos", afirmou.

Segundo o senador, "faltam líderes mundiais", como o americano John Kennedy, o soviético Nikita Kruschev, desde o fim da Guerra Fria, capazes de falar "ao mundo".

"Os líderes se apequenaram, e a maior parte dos chefes de Estado é hoje de caixeiros-viajantes. Eles querem vender, não há discurso planetário."

Tribunal para crimes contra o futuro da humanidade
Cristovam Buarque propõe a criação de um tribunal internacional para julgar crimes contra o desmatamento e o futuro da humanidade. Ele participou dos diálogos da sociedade civil no Riocentro.

A corte se encarregaria de crimes que degradam a natureza e ameaçam futuras gerações; crimes que fomentam a desigualdade; que ameaçam a unidade da espécie humana - como o apartheid social, por exemplo - e crimes que disrespeitam a diversidade cultural.

De acordo com a proposta, uma comissão de personalidades mundiais faria a escolha dos casos que mereceriam apreciação de uma consulta em escala mundial para julgar o parecer dos notáveis.

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