Debate sobre água reforça importância de saneamento básico na Rio+20

Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável são uma série de eventos onde especialistas debatem temas ligados ao meio ambiente

Valmir Moratelli iG Rio de Janeiro | - Atualizada às

Água. Este foi o tema do segundo debate desta segunda-feira (18), dentro da série de Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável que promove recomendações que, após votadas pelo público presente, serão levadas aos Chefes de Estado e de Governo presentes na Cúpula da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável ( Rio+20 ), a realizada de 20 a 22 de junho.

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O tema parece óbvio. Suas implicações sobre a vida humana, biodiversidade e ecossistemas também. Mais ainda a necessidade de se preservar este bem. Mas ainda assim gera discussões sobre as formas de se colocar em prática a utilização sustentável para todos.

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A lista de dez recomendações acerca do uso consciente da água não tinha tantas variações. Myrna Cunningham Kaim, do Permanent Forum of the United Nations of Indigenous, criticou a má gestão do uso da água. “A principal forma de poluição vem de indústrias de extração, como a mineração, que joga mercúrio nos rios. Somos contra esta prática, assim como a privatização de recursos hídricos. Água tem importância política, social, cultural”, disse a ativista da Nicarágua.

Sensibilidade com a falta de saneamento
Albert Butare, do Africa Energy Services Group, deu o tom do debate. “Acho que não há muito o que se discutir. Todos sabemos do valor da água para a vida. A questão é como fazer a contecer a proteção a este bem”, declarou ele, natural de Ruanda. A Indiana Santha Sheela Nair, do Department of Fresh Water e ministra do desenvolvimento rural da Índia, acrescentou uma questão ao painel. “Água e saneamento têm que estar lado a lado. Dois bilhões de pessoas não têm acesso à água potável no planeta. Ficamos horrorizados com aids, com tráfico de pessoas, mas devemos igualmente nos sensibilizarmos para a falta de saneamento”, diss ela, tendo apoio dos colegas de debate.

O francês Loïc Fauchon, do World Water Council Board of Governors, lembrou a situação precária em países africanos. “Mais de sessenta por cento das escolas da África não têm banheiro. Não adianta gastar milhões com alimentação, se o povo não está bebendo água de qualidade. Comida é importante, mas a água é tão quanto”, disse Fauchon.

Entre as medidas que serão repassadas aos Chefes de Estado, assegurar o suprimeiro de água para a biodiversidade e ecossistemas (já anteriormente votada pela internet), implementar o direito à água (votada pelo público após o debate) e reforçar a importância de políticas de gerenciamento da água, de energia e do uso da terra (escolhida pelos palestrantes).

O teor de obviedades que girou o debate só foi quebrado pela presença do ex-presidente Fernando Collor, que foi vaiado ao ser anunciado na plateia pela mediadora Lucia Newman. Também estavam na mesa: Benedito Braga (Brasil) - International Water Resources Association (IWRA); Ania Grobicki (Suécia) - Global Water Partnership (GWP); David Boys (Canadá) – Public Services International; Dyborn Chibonga (Malawi) - National Smallholder Farmer´s Association of Malawi (NASFAM); Jeff Seabright (EUA ) - Environment and Water Resources - Coca-Cola Co. e Muhammed Yunus (Bangladesh) - Grameen Bank.

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