Soluções para crise precisam levar em conta a questão ambiental, afirma painel

No segundo dia de debates na Rio+20, especialistas afirmam que miopia dos mercados e padrões de consumo precisam ser regulados pelo governo

Natasha Madov enviada ao Rio | - Atualizada às

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Para Gro Brundtlan, com a pressão da sociedade civil e as ideias de empresas inovadores, é possível colocar os governos no caminho certo. Foto abril de 2011

Os mecanismos de livre comércio, padrões de consumo e soluções de crise econômica foram os grandes temas debatidos na manhã do segundo dia dos Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável , que acontecem no Riocentro até terça-feira (19). O painel "A economia do desenvolvimento sustentável, incluindo padrões de sustentáveis de produção e consumo" teve como foco como assegurar que a economia, com todas suas oscilações, seja capaz de acompanhar as novas formas de desenvolvimento propostas na conferência.

E sobrou até para o Brasil, o anfitrião do evento. O ex-ministro da Fazenda Rubens Ricupero, um dos debatedores, levantou aplausos da plateia ao criticar a política econômica brasileira: "Não se pode pensar em solução de crises a curto prazo. No Brasil, por exemplo, combater a desaceleração da economia é estimular de qualquer maneira a venda de automóveis", afirmou. "Não precisa haver incompatibilidade: porque não estimular a venda de veículos mais econômicos e menos poluidores? Nos cortes de orçamento, porque não cortar os subsídios aos combustíveis fósseis? É preciso usar a crise como um instrumento de combate da ameaça ambiental".

O economista polonês Ignacy Sachs afirmou que é preciso regular a atividade econômica: "Mercados, se deixados sozinhos, são míopes e insensíveis socialmente. Temos que voltar a fazer planos de longo prazo. Nunca estivemos tão bem equipados para isso".

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Gro Brundtland, ex-primeira ministra da Noruega e responsável pelo Relatório Brundtland, que há 25 anos cunhou o termo desenvolvimento sustentávvel, afirmou que os alertas e necessidades continuam o mesmo do seu documento. "O problema é implementar estas ações, e para isso, precisamos de vontade política. Com a pressão da sociedade civil e as ideias de empresas inovadores, é possível colocar os governos no caminho certo".

Veja a cobertura completa sobre a conferência Rio+20 , que acontece em junho

Recomendações votadas
Entre as recomendações escolhidas a serem levadas aos chefes de Estado, estão: eliminar aos poucos subsídios danosos e desenvolver mecanismos fiscais verdes (votada pela internet); incluir danos ambientais no Produto Nacional Bruto e complementá-lo com índices de desenvolvimento social (votada pela platéia) e promover compras governamentais sustentáveis em todo mundo como catalisador para padrões sustentáveis (escolhida entre os integrantes do painel). 

Em encontro posterior com jornalistas, Helio Mattar, do Instituto Ethos, e Sachs afirmaram um certo desapontamento com as recomendações, consideradas de ordem mais prática e imediata. "Perdemos uma oportunidade de discutir a visão de futuro e o que seria um modelo de desenvolvimento sustentável ideal," afirmou Mattar

Os Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável são um evento organizado pelo governo brasileiro para debater temas da Rio+20, e levar recomendações da sociedade civil ao segmento de alto nível da conferência a presidentes e ministros dos países-membros da ONU.

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