Rio+20: Documento do Brasil prioriza erradicação da pobreza, como iG adiantou

Nova versão de "O Futuro que Queremos" também reafirma ser humano no foco das discussões e inclui responsabilidades comuns mas diferenciadas, rejeitadas por países ricos

Raphael Gomide , iG Rio de Janeiro |

A nova versão do documento "O Futuro que Queremos", apresentada neste sábado (16) pelo Brasil, pôs a erradicação da pobreza no centro das discussão da Rio+20 , como uma condição para o desenvolvimento sustentável, como o iG adiantou na sexta-feira (15), após entrevista com o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota .

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Jan Grarup
A erradicação da pobreza está no centro das discussões da conferência Rio+20

Após assumir a coordenação das negociações , o Brasil incluiu o tema em dois dos quatro primeiros parágrafos do documento, o que demonstra a importância que o Brasil quer dar a ele.

"Erradicar a pobreza é o maior desafio mundial no mundo hoje e uma exigência indispensável para o desenvolvimento sustentável. Nesse sentido, estamos comprometidos com uma humanidade livre de extrema pobreza e da fome com urgência", diz o segundo item.

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O texto afirma que a erradicação da pobreza e a promoção de padrões de consumo sustentáveis são objetivos gerais da Rio+20, que devem perpassar todas as demais ações de desenvolvimento sustentável. 

O documento ainda diz que "estamos profundamente preocupados de que uma em cada cinco pessoas no planeta, ou mais de um bilhão de pessoas, ainda vivam em extrema pobreza e que 14% sejam subnutridos".

Outro tema que o ministro Patriota adiantara ao iG que estaria na prioridade do Brasil é a reafirmação do princípio número 1 da Rio 92, de que "os seres humanos estão no centro do desenvolvimento sustentável". Segundo o parágrafo sexto do documento, "nesse sentido, lutamos por mundo justo, igualitário e inclusivo e nos comprometemos a trabalhar juntos para promover crescimento econômico sustentável e inclusivo, desenvolvimento social, proteção ambiental e assim, beneficiar a todos".

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O texto proposto também reafirma os princípios gerais da Rio92, inclusive especificando o polêmico princípio das responsabilidades comuns mas diferenciadas. Isso significa, em resumo, que os países ricos deveriam bancar o desenvolvimento sustentável dos demais. Daí por que os Estados Unidos e outros países desenvolvidos queriam excluir do texto, alegando que o mundo de hoje não é o mesmo do passado, tendo em vista o crescimento da China e de outros emergentes.

De acordo com a redação atual, esse princípio deve servir de como base para cooperação, coerência e implementação dos compromissos de desenvolvimento sustentável, e vai continuar a guiar a comunidade internacional na conquista do desenvolvimento sustentável e o futuro que queremos.

Em contrapartida, um dos itens limpados do texto foi a proposta do G-77+China da criação de um fundo anual de US$ 30 bilhões , bancado pelos países ricos, para financiar o desenvolvimento sustentável.

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