Brasil está confiante que negociação acabe na segunda-feira

Expectativa é que negociação acabe na noite do dia 18. Elevação de Pnuma a agência está descartada e meios de implementação continuam em discussão

Natasha Madov enviada ao Rio de Janeiro | - Atualizada às

O secretário-executivo da delegação brasileira na Rio+20, o embaixador Luiz Alberto Figueiredo, afirmou neste domingo (17) que a negociação do documento final da conferência da ONU, que será levada aos chefes de Estado a partir da quarta-feira (20), está próxima de seu final.

“Estamos refinando o documento, e queremos chegar num texto legível, porém abrangente”, disse Figueiredo durante coletiva de imprensa, que afirmou que as reações das delegações foram muito positivas. Figueiredo retificou o tamanho do documento final: de 56 páginas, como foi anunciado ontem, ele passou a 50. Figueiredo atribuiu o número menor de páginas a um erro na configuração da impressão.

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O embaixador garantiu que o documento chegará pronto aos chefes de Estado, que iniciarão o segmento de alto nível da conferência na quarta-feira (20). “Eles vão debater temas que chefes de Estado debatem. A programação deles é intensa, com mesas-redondas, discursos e consultas bilaterais”, afirmou. “Chefes de estado não gostam de negociar textos que os burocratas prepararam. Eles não vêm ao Rio para isso”.

Ele, no entanto, afirmou que alguns pontos espinhosos continuam sob negociação. Os meios de implementação, por exemplo, ainda estão sendo discutidos, tanto em seus parágrafos específicos quanto em outras áreas afetadas por eles. “Os países ricos têm dificuldade em comprometer fundos e reafirmar compromissos anteriormente firmados”, afirmou.

A potencial elevação do Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) ao status de agência da ONU já foi descartado. Mas Figueiredo tentou amenizar afirmando que o texto relativo ao Pnuma pode ser aplicado a um eventual fortalecimento posterior da instituição: "O fato é que o Pnuma não sai da Rio+20 do jeito que entrou”.

ONGs estão insatisfeitas

Integrantes de organizações não-governamentais que participam da Rio+20 manifestaram contrariedade em relação ao documento apresentado pelo Brasil para a ser negociado antes da chegada dos chefes de Estado. A Anped (Aliança do Norte para Sustentabilidade) iniciou uma campanha com petição online com o nome "O Futuro que Não Queremos", em oposição ao texto "O Futuro que Queremos".

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"Acreditamos que o atual estado de negociações ameaça fortemente o futuro de todas as pessoas e mina a relevância e a credibilidade da ONU. Depois de mais de dois anos de intensas negociações e milhões de dólares investidos na conferência, governos estão sendo incapazes e não têm vontade política de reafirmar os compromissos com os princípios fundamentais da Rio 92", afirmou Leonardo Rocha, representante da ONG.

"Nossa avaliação inicial do documento brasileiro é de que vemos muito pouco em ações concretas. É a hora de pôr em prática o que vem sendo discutido, e não há um plano de ação no que diz respeito a medidas de proteção social e combate ao desemprego", disse Judith Kirton-Darling, da Confederação Europeia de Sindicatos.

(colaborou Raphael Gomide, do iG Rio de Janeiro)

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