Público  dos "Diálogos" escolhe assuntos prioritários para chefes de Estado

Painel sobre desemprego e migrações abre discussão no Riocentro, com foco em desenvolvimento sustentável voltado à proteção do trabalhador

Valmir Moratelli (iG Rio de Janeiro) | - Atualizada às

Agência Brasil
Abertura do "Diálogos" ocorrem na manhã deste sábado

O público – credenciado - no “ Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável ” também teve direito à participação nos debates que antecedem o encontro dos chefes de Estado da Rio+20. Quem acompanhou o painel “Desemprego, trabalho decente e migrações”, um dos dez previstos no evento, neste sábado (16), no Riocentro, zona oeste da cidade, teve a oportunidade de votar entre dez itens prioritários.

Nos últimos quatro meses, mais de três milhões de votos do mundo todo, diretamente no site da ONU, ajudaram a chegar aos dez pontos considerados cruciais para o debate sobre qualidade do trabalho e processo de migrações. Dessa lista, foi feito agora um debate entre representantes de diferentes pontos de vista para se chegar a um consenso. O item mais votado será incluído na lista de discussões dos presidentes que chegam à cidade até a próxima quarta-feira (20).

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Resumidamente, a lista debatida incluía: 1. Educação no centro da agenda de objetivos do desenvolvimento sustentável; 2. Assegurar a segurança de trabalho das nações; 3. Acesso geral à saúde; 4. Estabelecer metas de proteção social do trabalhador; 5. Defender o empreendedorismo das mulheres; 6. Estimular a economia verde; 7. Cuidado do emprego do idoso; 8. Estabelecer proteção ao trabalho do migrante; 9. Metas nacionais da geração de emprego verde; 10. Criação de um órgão de gerenciamento do desenvolvimento sustentável, similar à OMC.

Após o debate na manhã deste sábado, ficou acertado que os itens 4, 5 e 6 seriam unidos em uma nova redação. Os itens 1 e 3 também foram agrupados em um só ponto. Sendo assim, a votação dos presentes direcionou o objetivo final para o item 4, com 73,8% dos votos. A questão da educação já estava sendo considerada fora de debate, visto que entraria de qualquer forma na agenda do desenvolvimento sustentável.

Para Peter Bakker, presidente do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável, o importante no momento é criar estratégias de trabalho focadas em economia verde. “O desenvolvimento deve ser inclusivo, e pensado nas próximas gerações”, disse. “Precisamos de uma revolução pacífica na forma como nossa economia precisa ser gerenciada. Precisamos redistribuir o capital, porque o trabalho sozinho não será suficiente para a sustentabilidade do planeta”, completou Maurice Strong , que foi secretário-executivo da Rio-92.

Consumo consciente
Sociólogo da Universidade de Pequim, Lu Haulin provocou os presentes, questionando as condições de trabalho em seu país. “Vejo daqui do palco muitos com computadores Apple. Vocês devem se perguntar de que forma estes computadores foram feitos. O maior problema da China não é o desemprego, mas a falta de proteção à mão de obra local. É fundamental se discutir desenvolvimento sustentável passando pela proteção social do trabalhador”, disse o sociólogo, defendendo o voto na opção 4.

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Também relacionado a consumo consciente, o discurso de Share Burrow, secretária-geral da Confederação Internacional de Sindicatos, lembrou o aumento de produção para as próximas décadas. “Nunca se produziu tanta riqueza quanto agora. Assim como desigualdade. Precisaremos até 2030, aumentar 50% da produção de comida, 45% de energia, 30% de água. O investimento tem que ser em economia verde, buscando a inclusão de mulheres, jovens e crianças. Mas sem esquecer a qualidade do trabalho. Não pode haver, por exemplo, Copa do Mundo no Catar (em 2022), enquanto os trabalhadores forem escravizados”, disse a secretária-geral.

Um olhar mais focado nos jovens foi o ponto destacado por Nana-Fosu Randall, presidente da ONG Vozes das Mães Africanas, de Gana. “Ando pelo continente todo e vejo muitos jovens à toa, vagando pelas ruas. Essas pessoas são uma bomba-relógio. Imploro aos nossos líderes para que vejam esta juventude, criem emprego, capacitação e treinamento. Só assim estes jovens não serão levados a zonas de guerra”, disse a africana, arrancando apalusos de todos os presentes.

Classe média em países pobres
Também presente ao debate, Debora Wince-Smith, presidente do Conselho de Competitividade da ONU, alertou para uma nova era, ainda mais tecnológica, que se avizinha. O que, segundo ela, acarretará em maior foco no desenvolvimento sustentável. “Até 2020, segundo os economistas, 80% dos consumidores da classe média estarão em países em desenvolvimento. Como vamos contribuir para o crescimento sustentável? É uma grande mudança no planeta, uma era de emergência com as novas economias”, declarou.

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