Ao assumir negociações, Brasil "emagrece" texto e elimina colchetes

País excluiu criação de fundo de US$ 30 bi e  apresenta documento condensado de 56 páginas, que passará a ser debatido pelos representantes dos países

Raphael Gomide , iG Rio de Janeiro |

Ao assumir a presidência da Rio+20 na sexta-feira (15), o Brasil reduziu de mais de 80 para 56 páginas o texto principal da conferência e eliminou os colchetes, que marcavam os trechos em desacordo entre os negociadores. "Assumimos a coordenação e apresentamos hoje um texto consolidado em um texto limpo. O texto é de 56 páginas, e emagreceu bastante, a partir das mais de 80 páginas de antes", afirmou o ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota. "Não há mais colchetes no texto, que está sendo submetido às delegações", disse o ministro.

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Marcelo Casal Jr / ABr
O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, abriu a série de debates na Rio+20

Desde o dia 13, negociadores dos países têm tentado chegar a um consenso sobre o documento que será apresentado aos chefes de Estado para a reunião de cúpula, de quarta (20) a sexta-feira (22). 

Uma importante modificação ocorreu no texto apresentado para a Rio+20. O Brasil retirou a parte relativa ao fundo anual de US$ 30 bilhões para financiar o desenvolvimento sustentável, proposta do G77+ China que causou polêmica e foi rejeitada pelos Estados Unidos, Europa e países ricos. Esse era um dos pontos de maior discussão desde que foi apresentado, no início dos trabalhos no Rio.

O negociador-chefe dos EUA, Todd Stern, e a secretária-assistente de Estado Kerri-Ann Jones, já haviam manifestado publicamente contrariedade em relação à proposta, em entrevista nesta sexta. 

De acordo com Patriota e com o negociador-chefe do Brasil, embaixador Luiz Alberto Figueiredo, não houve perda de conteúdo; foram cortadas duplicações e repetições antes existentes no documento. "Foi feita uma revisão e uma condensação no texto, sem perder nada".

Da noite deste sábado até segunda (18), os representantes das nações passarão, portanto, a debater sobre esse texto revisto e enxugado, para tentar chegar a um documento final. O Brasil também alterou a configuração das discussões e reduziu de cinco para quatro os grupos, que passarão a tratar especificamente de objetivos do Desenvolvimento Sustentável; governança; meios de implementação, e oceanos . "A dinâmica nova vai buscar a convergência e se concentrar nas questões cruciais, para acabar no tempo previsto", disse Patriota.

Nesse texto remodelado pelo Brasil, os princípios do Rio (92) serão reafirmados. O primeiro deles - "os seres humanos estão no foco do desenvolvimento sustentável' - será a base para o País defender a "erradicação da pobreza" como tema central da Rio+20.

O documento final pretende lançar, no âmbito da ONU, os "objetivos do Desenvolvimento Sustentável", tema da conferência e iniciar um processo de negociação de metas técnicas e políticas de implantação disso.

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