Não há o que comemorar, diz secretário-geral da Rio 92

Em evento de celebração dos 20 anos da Cúpula do Clima na cidade, Maurice Strong ataca países ricos e diz que conferência decide o "futuro da civilização"

Raphael Gomide | - Atualizada às

ONU
Para Maurice Strong, mundo está um lugar pior que em 1992

Convidado para a celebração dos 20 anos da Rio 92, o secretário-geral daquela conferência, Maurice Strong, foi uma voz dissonante dos discursos otimistas dos organizadores e da ONU, às vésperas da reunião de alto nível, com os chefes de Estado e Governo. Ele afirmou nesta sexta-feira no Riocentro que "não há o que comemorar", e o mundo está um lugar pior que em 1992.

Para Strong, que foi aplaudido de pé, "há uma grande distância entre a ciência e a política". "Não há muito a celebrar. Eu realmente temo que estejamos mais longe do rumo necessário do que estávamos em 92. As condições gerais se deterioraram, e alguns países continuam a negar os efeitos do clima", afirmou, em seu discurso.

Para ele, "esta é uma conferência sobre o futuro da civilização, e as condições atuais só vão continuar a existir por pouco tempo. As ações humanas estão pondo em risco o futuro da civilização."

Sua fala também foi duas vezes interrompida por aplausos, uma delas quando criticou a política ambiental de seu país-natal, o Canadá. "Não estou de forma alguma satisfeito com o meu país", disse.

Ele também atacou, de forma geral, os países desenvolvidos, que, afirmou, não cumpriram os acordos de transferência de tecnologia, ainda na Rio+20 um dos principais pontos de discórdia entre os blocos ricos e em desenvolvimento.

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Rio+20 precisa nos colocar no caminho certo, diz Strong. "As perspectivas de resultados (da Rio+20) devem nos preocupar a todos. Houve enormes falhas na implementação do documento da Rio 92. Cresceu a diferença entre ricos e pobres, mesmo nos países desenvolvidos, o acesso e a transferência de tecnologia não se materializaram. Os países desenvolvidos não entregaram o acordado. É necessário haver formas de cobrança e responsabilização, para que não tenhamos de depender de governos. As pessoas precisam fazer seus líderes responderem por aquilo a que se propõem", disse, e foi aplaudido.

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Ao fim de sua fala, longamente aplaudida pelo plenário de delegados, ele disse que "temos de começar uma revolução". "Sou pessimista analiticamente e otimista operacionalmente. Acho que precisamos ser realistas e a Rio+20 tem de nos colocar no caminho certo."

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