Sem conclusão, Rio+20 empurra texto para véspera da chegada dos chefes de Estado

Número 2 da conferência admite pela primeira vez que documento não ficará pronto nesta sexta e manifesta a "esperança" de termine antes da reunião dos líderes mundiais. Também não há plano B para novo fracasso

Raphael Gomide iG Rio de Janeiro | - Atualizada às

Sem conseguir avançar no texto principal da Rio+20 , que tinha apenas 28% acordados após mais dois dias intensos de discussões, a Rio+20 já admite que o documento principal não ficará pronto hoje, prazo previsto. A nova data-limite passa a ser o dia 19, véspera da chegada dos chefes de Estado e governo ao Rio para o segmento de alto nível, de 20 a 22 de junho.

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O diretor de Desenvolvimento Sustentável da ONU e número 2 da Rio+20, Nikhil Seth , afirmou nesta tarde que "a disposição (dos negociadores) é boa, mas o tempo não é". "O maior inimigo é o tempo. Todos queremos o processo terminado até a chegada dos chefes de Estado. É a esperança de todos, que se conclua tudo até o dia 19."

Assim, sutilmente, o discurso deixa de ser a "esperança" de que se consiga terminar tudo até esta sexta e se posterga essa data até o dia 19, limite antes do início da reunião de cúpula. Nesta quinta-feira, Seth já admitira não haver um "plano B" para o caso de não conseguir terminar até esta sexta. Agora, diz não haver "plano B" também para o caso do fracasso nas negociações até o encontro de alto nível.

É a primeira vez que a direção do evento admite que não haverá tempo para concluir o texto até o fim desta sexta (15). O encerramento dos trabalhos iniciais das reuniões preparatórias será às 22h, quando a presidência da conferência passa ao Brasil, país-sede. Caberá ao Brasil, então, definir os novos parâmetros e modelos de negociação para se chegar ao documento final.

Tema polêmico, transferência de tecnologia ainda nem foi debatida

Para se ter uma ideia de como as negociações estão lentas, um dos assuntos mais polêmicos no que diz respeito à implementação das decisões acertadas na Rio+20, a transferência de tecnologia ainda não tinha sido nem sequer debatida até as 13h desta sexta-feira, na mesa que discute as metas do desenvolvimento sustentável.

Apesar disso e de apenas 28% dos parágrafos estarem acordados às 23h de quinta, após dois dias (ao começar os trabalhos, eram 21%), Seth declarou ver "progresso lento mas contínuo nas negociações" e "um sentimento de otimismo cauteloso". "Vamos concluir tudo até o dia 19", disse, com tom mais de desejo que de convicção.

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Ele buscou o tempo todo, na entrevista à imprensa, minimizar o problema e, ao ouvir comparação com a COP-15, em Copenhague, quando chefes de Estado e governo se reuniram e discutiram a redação do texto - trabalho normalmente destinado a diplomatas intermediários - Nikhil Seth preferiu lembrar a bem-sucedida Rio 92.

"Há 20 anos, havia o mesmo sentimento (de que não se conseguiria terminar o documento antes da reunião de cúpula) e até o último momento ministros do Meio Ambiente se sentaram para discutir. Meu sentimento é de que não há diferenças fundamentais (entre os negociadores)", afirmou.

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