Por "dia de folga", Brasil incita negociadores a acabar texto antes do dia 19

Luiz Alberto Figueiredo defende descanso dos diplomatas antes da chegada dos chefes de Estado e governo para Rio+20

Raphael Gomide e Natasha Madov | - Atualizada às

O negociador-chefe do Brasil da Rio+20 , Luiz Alberto Figueiredo, apelou às belezas do Rio de Janeiro e a um dia de descanso para tentar convencer os negociadores a concluir o texto principal da conferência antes do dia 19, véspera da reunião dos chefes de Estado e governo.

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Figueiredo conclamou os representantes dos países a terminar o documento o quanto antes, para poderem ter "um dia de folga" na cidade. Na manhã desta sexta (15), o diretor de Desenvolvimento Sustentável da ONU, Nikhil Seth, dissera "ter esperança" de terminar tudo até o dia 19.

"Nossa intenção é terminar antes do dia 19. Não há por que esticar. Tenho dito aos colegas que, se querem ter um dia de folga e descanso no Rio, antes da chegada dos chefes de Estado, é bom que seja agora", afirmou o embaixador, à imprensa.


Fim das mudanças "porque o verbo não é certo" e "a frase não ficou bonita"

Para isso, segundo Figueiredo, o Brasil - que assumirá a frente das negociações na noite desta sexta-feira (15), como país-sede - vai focar em ignorar as idiossincrasias e tentar ser pragmático.

"Até o dia 19, podemos ter alterações no texto. Mas serão mudanças fundamentais, não porque o verbo não é certo, a frase não ficou bonita... Agora é a hora final de fechar o texto e vamos fechar o texto", disse. "O Brasil não tem nenhuma intenção de levar termos abertos aos chefes de Estado. A intenção é concluir as negociações até, no máximo, o dia 19."

Segundo Figueiredo, "não há obstáculos novos", as aproximações estão sendo feitas e "as coisas estão mais convergentes que antes".

Brasil assume comando dos trabalhos ainda sem título de presidência

Diferentemente do que afirmara Seth, o embaixador disse que o Brasil não assume oficialmente a presidência da conferência, mas já passa a coordenar o fim dos trabalhos, que, neste momento, tem como principal objetivo terminar o texto da Rio+20.

Tecnicamente, essa coordenação da continuação das negociações se chamará de "consultas informais", uma vez que o Brasil ainda não terá assumido a presidência formal do evento.
"Vamos continuar o processo. A responsabilidade é do Brasil, os grupos serão todos liderados por brasileiros, porque são consultas do país-sede", disse Figueiredo.

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