Transição para economia verde reduzirá pobreza, diz Pnuma

Estudo apresentado hoje mostra potencial da economia verde e dá bases científicas para que governos tomem medidas

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Diretor do Pnuma, Achim Steiner, apresenta relatório sobre economia verde

A transição para uma economia verde, um dos objetivos da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável Rio+20 , permitirá uma redução significativa da pobreza no mundo, segundo um relatório divulgado nesta quinta-feira (14) pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), no Rio de Janeiro.

O estudo "Construindo uma economia verde inclusiva para todos" afirma que, ao contrário do que alguns países em desenvolvimento e diversas ONGs defendem, a adoção de práticas econômicas sustentáveis não beneficiará só o capital, mas também os pobres.

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O diretor-executivo do Pnuma, Achim Steiner apresentou o relatório em entrevista coletiva e solicitou que os 130 chefes de Estado e de Governo que participarão da Rio+20, na próxima semana, impulsionem a transição rumo à economia verde como forma de combater a pobreza.

"O estudo mostra a potencialidade da economia verde e dá as bases científicas para que os Governos tomem medidas", afirmou Kitty van der Heijden, embaixadora para o desenvolvimento sustentável da Holanda, que colaborou na pesquisa.

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No documento foram enumeradas algumas políticas públicas necessárias para construir um modelo econômico que una prosperidade e meio ambiente, ao mesmo tempo melhorando o sustento das 1,3 bilhões de pessoas que ganham menos de US$ 1,25 por dia em todo o mundo.

Para o Pnuma, a transição terá reflexos na redução da pobreza desde que conte com fortes políticas para combater a desigualdade. "Os investimentos específicos e as reformas nas políticas públicas são necessárias para superar as atuais barreiras que impedem que muitas comunidades carentes se beneficiem de uma economia verde", conclui a pesquisa.

Ações
Entre as medidas de destaque estão os incentivos fiscais para apoiar a produção sustentável e ajudas as comunidades afetadas pela transição, capacitação da população local, cooperação financeira e tecnológica internacional e adoção de uma nova forma de medição do progresso que não leve em conta só o PIB ou a renda per capita.

A elaboração do relatório contou com o apoio de várias agências internacionais, bancos de desenvolvimento, organismos da ONU e ONGs.

Segundo o estudo, muitos países em desenvolvimento já adotaram mecanismos para ir além de "uma economia de baixa emissão de carbono e eficiente no uso de recursos". O relatório ainda cita vários projetos de práticas sustentáveis de produção agrícola, geração de energia e preservação de florestas em países como Brasil, Egito, África do Sul, Uganda e Bangladesh.

Segundo o Pnuma, os produtores de alimentos orgânicos em Uganda, por exemplo, estão alcançando uma renda até 300% superior à obtida com a agricultura convencional.

O documento também cita um programa de distribuição de painéis solares em Bangladesh que beneficiou 1,2 milhões de famílias e gerou 60 mil empregos indiretos, assim como projetos para aproveitar a energia eólica na Mongólia e a solar na África do Sul com importantes resultados na redução da pobreza e a geração de emprego.

Esses projetos, segundo os responsáveis pela pesquisa, permitiram impulsionar um crescimento econômico gerador de empregos, inclusão social e preservação ambiental.

Os autores do relatório rejeitaram os argumentos de alguns países e ONGs no sentido que a economia verde é um instrumento para permitir que o capital possa vender a água e os recursos naturais.

"Apesar do tema da economia verde ser muito controversos, o relatório mostra que não se trata só de capitalismo verde ou de eco protecionismo, mas de um processo que pode ajudar na luta contra a pobreza e a fome", afirmou Kitty.

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