Políticos confundem ação em favor do clima, diz de Boer

Ex-diretor executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, Yvo de Boer diz que é preciso mais sintonia entre chefes de Estado e negociadores

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Ex-diretor-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, o austríaco Yvo de Boer (14) afirmou na quinta-feira que a falta de sintonia entre os chefes de Estado e os negociadores das conferências internacionais impede o avanço dos acordos. Para ele, a retórica dos políticos "está atrapalhando as ações" de combate aos danos ambientais. De Boer cobrou dos governantes posições claras sobre a economia verde. A convenção-quadro foi criada durante a Rio-92 com objetivo de unir países no esforço de reduzir as emissões de gases de efeito estufa e é considerada o primeiro grande passo de discussão das mudanças climáticas.

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"Os negociadores não têm senso de direção. Os políticos não estão liderando os negociadores. É obrigação dos políticos dar a direção", afirmou de Boer no debate Desafio Rio/Clima, evento paralelo à Rio+20 . "Políticos não têm motivos para dizer que não compreendem o problema das mudanças climáticas", completou.

O ambientalista disse ter péssimas lembranças da Convenção do Clima em Copenhague, em 2009. "Foi uma terrível experiência. Ficamos durante 14 horas em uma sala com os presidentes Lula, Obama, Sarkozy, da China, da Índia, de Maldivas, de países que representavam os interesses do petróleo. O presidente de Maldivas lutava pelo limite de aquecimento de 1,5 grau Celsius, mas teve que aceitar 2 graus, foi o melhor que conseguiu. Lula dizia que o Brasil precisava de uma meta de redução de emissão de gases do efeito estufa . Mas entre os negociadores, a situação era totalmente diferente. Eles se apegavam a questões menores, promessas eram quebradas. E a urgência da mudança climática evaporou", contou.

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De Boer defende a formação de um grupo de países líderes que estabeleçam marcos legais de redução dos danos ao meio ambiente e punições para os abusos. "Precisamos de uma política clara, não um documento de 200 páginas, mas uma proposta equilibrada em que os políticos possam compreender a convenção-quadro", afirmou. O austríaco cobrou também "uma afirmação aberta de que a preocupação em relação aos países mais pobres é a erradicação da pobreza e o crescimento econômico e a comunidade internacional precisa ajudar".

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