"Temos de ficar acima de interesses de curto prazo", diz Zukang, da Rio+20

Secretário-geral da conferência quer focar em documento que vincule politicamente países a cumprir compromissos acertados. A sete dias da reunião de alto nível, ele pede pressa

Raphael Gomide iG Rio de Janeiro | - Atualizada às

AFP
Luiz Alberto Figueiredo e Sha Zukang pedem pressa nas negociações do documento final

O secretário-geral da Rio+20 , Sha Zukang, afirmou nesta terça-feira (13) que os países precisam ficar acima de interesses pequenos e de curto prazo em busca de um acordo efetivo que garanta ao mundo desenvolvimento sustentável, a partir de agora.

"Precisamos nos elevar acima dos interesses pequenos e de curto prazo e fazer com que a Rio+20 inspire todas as nações a agir e a agir agora. Teremos o registro dos compromissos, lançando novos compromissos voluntários e iniciativas", disse Sha Zukang, em entrevista coletiva no Riocentro, sede do evento.

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Para o secretário-geral, o foco da conferência deve ser o resultado político, com um acordo geral que obrigue os países a cumprir os compromissos assumidos.

"Vamos focar no resultado político. Todos devemos focar nisso, um acordo vinculando os países-membros a cumprir as medidas. Outro resultado é a criação de um compêndio de ações a serem cumpridas", disse Zukang.

Entenda como vai funcionar a Rio+20 

Durante a entrevista, ele procurou demonstrar otimismo sobre o resultado da Rio+20, em certo ponto esvaziada pela ausência de alguns importantes chefes de Estado, como o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, por exemplo, e pela ausência de medidas obrigatórias para os países.

"Será um evento histórico, em que dezenas de milhares de pessoas terão a oportunidade de renovar nossos compromissos com o desenvolvimento sustentável. A expectativa cada vez maior de termos resultados efetivamente positivos, como a criação de empregos, segurança alimentar, cidades sustentáveis, economia verde", disse.

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Secretário-geral pede pressa para finalizar documento
Zukang também pediu pressa aos delegados dos países na finalização do documento principal da Conferência, que será discutido pelo segmento de alto nível, com os chefes de Estado e governo.

"Estou otimista de que se resolverá a tempo da cúpula. A partir de hoje (13), teremos o 'sprint' final da maratona de preparação do processo. Vamos eliminar os colchetes (que indicam que os temas ainda estão em discussão) e chegar ao texto final. O mundo todo está nos observando e não podemos decepcioná-lo", afirmou.

Ele também conclamou os negociadores a elaborar um trabalho que realmente tenha resultados práticos.

"Precisamos de documento ambicioso para uma mudança global. Não devemos subestimar, nada no mundo é mais forte que o esforço coletivo para um propósito verdadeiro."

Rio+20 não criará novas leis, diz negociador do Brasil
O negociador-chefe do Brasil na Rio+20, Luiz Alberto Figueiredo Machado, afirmou que a Rio+20 não vai elaborar novas leis ambientais, como fez a Rio-92. Para ele, o momento é outro e a legislação atual dá conta dos desafios existentes. Em sua opinião, porém, nem tudo o que foi criado foi de fato implementado na prática pelos países.

"Não estamos negociando leis. Não achamos que precisamos de novas leis, mas de implementar o que foi acordado em 1992", disse Figueiredo Machado.

Segundo ele, o momento é de agir e efetivar as mudanças.

"Precisamos é de olhar para trás e ver o que foi feito e deixou de ser feito e mirar o futuro para ver o que precisa ser feito", afirmou.

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