Secretário-geral da Rio+20 afirma que será "muito difícil" fechar um acordo

Sha Zukang disse, nesta segunda-feira, que dificuldade está nas diferentes prioridades de cada país participante

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Cara-crachá: Prefeito do Rio, Eduardo Paes, recebe o secretário-geral da ONU para a Rio+20, Sha Zukang, no Palácio da Cidade.

O secretário-geral da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável Rio+20, Sha Zukang, reconheceu nesta segunda-feira (11) que será "muito difícil" chegar a um acordo na cúpula que começará na semana que vem. Zukang assinalou que parte da dificuldade em fechar um acordo no documento final está nas "diferentes prioridades e diferentes níveis de desenvolvimento" dos países participantes da conferência.

"São mais que em 1992, quando houve 108 discursos e que em Johanesburgo em 2002, quando houve 104", assinalou o secretário- geral da Rio+20 em entrevista coletiva que concedeu após um encontro com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.

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As negociações do documento final da Rio+20 começaram há vários meses em Nova York e continuarão nesta semana na capital carioca. Zukang explicou que caso não possa completar um documento na próxima sexta-feira após três dias de negociações, algo que espera que não ocorra, deverá estar pronto antes da cúpula em qualquer caso. "Em nossa história já é recorrente que nos ponhamos de acordo no último minuto, infelizmente é assim, mas tomara que possamos mudar isto desta vez", comentou. 

Veja a cobertura completa sobre a conferência Rio+20 , que acontece em junho

Perguntado pela ausência dos líderes de Estados Unidos, Alemanha ou Reino Unido, Zukang disse que "essas são questões internas de cada país, mas que não significa que esses países não estarão representados em grande nível" na cúpula. Zukang se defendeu em seu papel neutro como representante da ONU e destacou que não sabe se "é bom ou ruim" que o presidente americano, Barack Obama; a chanceler alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, não compareçam ao evento sobre desenvolvimento sustentável. 


"Nosso modelo atual, após o grande aumento de população e o forte desenvolvimento econômico, já não é possível nem sustentável", declarou. Zukang ressaltou que esta cúpula deve renovar os compromissos já assumidos na ECO92 sem eliminar os já pactuados, porque em 20 anos se viu "muito progresso econômico, mas não em desenvolvimento social e em proteção ao meio ambiente".

A Rio+20 começa na quarta-feira no Rio de Janeiro e vai até o dia 22 deste mês. Entre os dias 20 e 22 de junho, chefes de Estado de quase todo o mundo estarão na cidade discutindo o desenvolvimento sustentável.

A expectativa de alguns especialistas é que a crise econômica européia possa dificultar a celebração de compromissos ambientais, uma vez que as nações estariam mais preocupadas em resolver problemas internos e se protegerem dos efeitos da turbulência do que assumir novas obrigações "verdes".

Em resposta às críticas lançadas por diferentes associações ecologistas que argumentam que a Rio+20 perdeu conteúdo ao longo das negociações, Zukang afirmou que tentou incluir "todos os grupos e setores envolvidos no conceito do desenvolvimento sustentável, incluindo a indústria, a sociedade e as organizações não-governamentais".

O dirigente das Nações Unidas admitiu que a reunião não estará isenta de "pequenos problemas porque isso é inevitável", mas reconheceu estar "profundamente impressionado" com os preparativos do Rio de Janeiro para organizar a conferência.

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