China se defende de acusações de que bloqueia discussões sobre o clima

Para China, Estados Unidos, União Europeia e Japão querem aproveitar novo processo para "sair do sistema juridicamente vinculante

AFP |

A China se recusou a assumir a responsabilidade pelo bloqueio que persiste nesta quinta-feira (24) nas discussões climáticas, que serão realizadas até sexta-feira em Bonn (Alemanha), e questionou a atitude de Estados Unidos, Europa e outros países industrializados.

Os países desenvolvidos "tentam escapar dos compromissos juridicamente vinculantes", afirmou à AFP o negociador-chefe chinês, Su Wei, à margem dos debates.

Os europeus alertaram na quarta-feira para o risco de "tricotar" o acordo sobre o clima adotado em 2011, em Durban (África do Sul), enquanto as negociações continuam paralisadas. Essas dificuldades são atribuídas por muitos observadores à postura da China.

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Para Su Wei, a China, pelo contrário, "mostrou muita flexibilidade".

Em Bonn, o impasse diz respeito às questões de organização do grupo de trabalho encarregado de conduzir, até 2015, um novo processo para um acordo global aplicável a partir de 2020.

Segundo a China, os Estados Unidos, a União Europeia e outros países como Japão, Canadá, Austrália e Nova Zelândia querem aproveitar o lançamento deste novo processo para "sair do sistema juridicamente vinculante" existente nas negociações sobre o clima.

Desde a sua criação, em 1992, o processo da ONU aplica o princípio de responsabilidades diferenciadas com base no nível de desenvolvimento para os esforços a serem implementados contra o aquecimento global. De acordo com este princípio, os países desenvolvidos são os únicos a ter compromissos.

"Estamos muito preocupados com este pequeno jogo que começou, que consiste em acusar países em desenvolvimento, como a China, de bloqueio", afirmou Meena Raman, especialista do Third World Network, uma ONG baseada na Malásia.

Ela afirma que os países desenvolvidos querem "derrubar o muro" entre eles e os países em desenvolvimento.

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