Na Holanda, grupo quer convencer população a abandonar "mania do descartável"

Para reduzir desperdício, voluntários se organizam para consertar objetos que precisam de reparos para voltar ao uso

The New York Times |

Ilvy Njiokiktjien/The New York Times
Grupo de voluntários trabalha no conserto de objetos no Café de Reparos de Amsterdã
Um homem desempregado, um farmacêutico aposentado e um estofador assumiram seus postos atrás de mesas vermelhas. Chaves de fenda e máquinas de costura estavam preparadas. Café, chá e biscoitos haviam sido distribuídos.

Hilij Held entrou na sala com uma mala listrada e dela tirou um ferro de passar aparentemente bastante usado.

"Isso não funciona mais", disse ela. "Sem vapor".

Ela estava no lugar certo.

No Repair Cafe (Café de Reparos, em tradução livre) de Amsterdã, um evento originalmente realizado em um centro comunitário algumas vezes por mês, as pessoas levam qualquer coisa que queiram que seja reparada, sem custo, por voluntários que apenas gostam de realizar consertos.

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Concebida como uma forma de ajudar as pessoas a reduzirem o desperdício, o conceito do evento decolou desde seu início cerca de dois anos e meio atrás. Trinta grupos já começaram eventos similares em toda a Holanda, onde vizinhos reúnem seus conhecimentos e algumas horas de trabalho para consertar roupas e reavivar velhas cafeteiras, luminárias, aspiradores de pó e torradeiras.

"Na Europa, jogamos muitas coisas fora", disse Martine Postma, uma ex-jornalista que criou o conceito do evento após o nascimento de seu segundo filho levá-la a pensar mais sobre o meio-ambiente. "É uma pena porque as coisas que jogamos fora geralmente nem sequer estão quebradas. Há mais e mais pessoas no mundo, e não podemos manter as coisas da maneira que nós fazemos."

Embora a Holanda despeje menos de 3% de seus resíduos urbanos em aterros sanitários, ainda há espaço para melhorias, segundo Joop Atsma, o secretário estadual de infra-estrutura e meio-ambiente. "O projeto do Repair Cafe é muito para conscientizar de que objetos descartados também têm valor", afirmou.

"Eu acho que é uma ótima ideia", disse Han van Kasteren, um professor da Universidade de Tecnologia de Eindhoven que trabalha com questões sobre o lixo. "O efeito social por si só é importante. Quando você reúne as pessoas para fazer algo pelo meio-ambiente, você conscientiza. E consertar um aspirador de pó gera uma sensação muito boa."

Isso certamente foi verdade para a mulher que levou seu aspirador de 40 anos de idade, comprado quando ela era recém-casada, para conserto no evento.

"Estou muito feliz, muito feliz", disse ela, conforme John Zuidema, 70, serrava o bico quebrado do aspirador. "Meu marido morreu e eu tenho várias coisas que precisam de pequenos consertos em casa".

Por Sally McGrane

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