Crescimento verde não é luxo de países ricos, diz Banco Mundial

Relatório da instituição afirma que preocupação com ambiente é obrigatória nas políticas econômicas internacionais

AFP |

O Banco Mundial (BM) pediu aos governos locais nesta quinta-feira que tomem cuidado com o meio ambiente em sua busca pela prosperidade, rejeitando o que chamou de mito de que o crescimento verde é um luxo que a maioria dos países não pode bancar.

Em um relatório, divulgado nesta quinta-feira (10), o banco afirmou que considerações políticas, comportamentos defensivos e falta de sistemas de financiamento apropriados são os principais entraves ao desenvolvimento ambientalmente amigável, e pediu aos governos que repensem sua abordagem sobre o crescimento, mensurando não apenas o que é produzido, mas o que é usado e a poluição gerada no processo.

Veja o especial sobre a Rio+20

"Costuma haver uma concepção equivocada de que os países pobres não podem estimular o crescimento sem degradar o meio ambiente e queimar as fontes mais baratas e sujas de energia", denunciou, em um comunicado, Kandeh Yumkella, diretor geral da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial.

"Simplesmente não é verdade. Os países em desenvolvimento não vão replicar padrões de crescimento de séculos anteriores, nem deveriam fazer isso. Eles precisam crescer com inteligência, de forma sustentável e mais rapidamente", acrescentou.

Leia também:
Poluição e lixo ameaçam crescimento, diz ministro chinês

Consumo mundial de recursos naturais deve triplicar até 2050
Movimento ambientalista prega 'decrescimento' da economia
Níveis de crescimento chinês necessitariam de 1,2 planetas Terra, segundo WWF
Brasil paga "alto preço ecológico" pelo crescimento, dizem analistas
Crescimento rápido de Dubai esgota seus recursos

O relatório foi publicado durante Cúpula sobre Crescimento Verde, realizada na Coreia do Sul, e que discute formas de apoiar países que buscam o crescimento sustentável e estratégias de economia verde.

Achim Steiner, diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, disse que o encontro, que reúne durante dois dias líderes de negócios e especialistas, pode "gerar confiança entre aqueles que acreditam que estas discussões (sobre o crescimento verde) são meramente futuristas".

O presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-Bak, que faz pressão para o desenvolvimento de tecnologias e indústrias ambientalmente amigáveis como um novo motor do crescimento, disse que um "think-tank" (centro de reflexão) sediado em seu país seria elevado à categoria de organização internacional até o fim do ano.

Seul criou o Instituto para o Crescimento Verde Global em 2010 e Lee disse que ministros de Estado elevariam o status da organização em um encontro previsto para outubro na Coreia do Sul.

Os ministros se reunirão para preparar a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, prevista para dezembro no Qatar.

"O crescimento verde agora atravessa fronteiras e está se tornando um ativo global", afirmou Lee em discurso.

Entre os principais conferencistas estavam Masayoshi Sen, fundador e diretor executivo da operadora japonesa de telefonia celular Softbank Corp.

Ele pediu que seja posto um fim, em escala global, à energia nuclear "sem controle" depois do acidente na usina de Fukushima, no ano passado, após o qual crianças e adultos tiveram que ser submetidos a testes de radiação.

"Não devemos repetir esta tragédia, pelo bem dessas crianças e da humanidade como um todo. Portanto, digo não à energia nuclear em qualquer parte do globo", disse Sen.

Em vez disso, ele pediu uma intensificação maciça do uso de energia solar e eólica em lugares como o deserto de Gobi, na China, e uma "super rede" elétrica ligando os países asiáticos.

    Leia tudo sobre: sustentabilidadeeconomiabanco mundial

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG