Engenheiro da BP detido por destruir provas de vazamento no Golfo

Kurt Mix teria apagado de seu telefone mensagens que provavam que vazamento era três vezes maior que as estimativas oficiais

AFP |

As autoridades americanas detiveram um ex-engenheiro da BP por destruir evidências relacionadas com o acidente com a plataforma Deepwater Horizon, em 2010, que matou 11 pessoas e vazou milhões de barris de petróleo no mar do Golfo do México.

O Departamento de Justiça, que fez na terça-feira a primeira detenção desde o desastre, acusou Kurt Mix, de 50 anos, de dois crimes.

Mix, natural de Katy, no Texas, é a primeira pessoa denunciada no âmbito do acidente, registrado em 20 de abril. Ele foi acusado de obstrução da justiça por tentar destruir centenas de mensagens de texto em seu iPhone, vinculadas com o incidente.

Veja no infográfico do iG a evolução diária do vazamento de petróleo no Golfo do México

As mensagens, que foram parcialmente recuperadas, indicaram que BP sabia há semanas que o acidente era três vezes maior do que as estimativas oficiais da companhia e que a manobra conhecida como "Top Kill", em que fluido pesado de perfuração foi bombeado no local do poço acidentado no leito marinho, estava dando errado.

Segundo a acusação, Mix fazia parte da equipe da BP que tentava calcular a quantidade de petróleo que vazou do poço durante a operação com vistas a por fim ao acidente.

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Ele teria mandado centenas de mensagens "em tempo real" para um supervisor da BP sobre o vazamento do poço e o progresso da operação.

Sediada na Grã-Bretanha, a BP informou na época que o poço estava vazando cerca de 5.000 barris diários de petróleo bruto.

As mensagens supostamente deram uma imagem diferente.

"O fluxo é muito maior, superior a 15.000", dizia uma mensagem que Mix enviou em 26 de maio, no primeiro dia da operação.

Mesmo antes do início da mesma, o Departamento de Justiça disse que "Mix e outros engenheiros concluíram internamente que a (operação) de 'Top Kill' provavelmente não seria bem sucedida se o fluxo fosse superior a 15.000 barris de petróleo por dia".

A operação de fato fracassou e o poço continuou vazando petróleo por mais 10 semanas até que uma nova tentativa conseguiu finalmente tapá-lo em 4 de agosto, após 4,9 milhões de barris ter poluído as águas do Golfo do México.

"A força-tarefa da (plataforma) Deepwater Horizon prossegue com sua investigação sobre a explosão e se responsabilizará aqueles que violarem a lei relacionados com a maior catástrofe ambiental da história americana", disse em um comunicado o procurador-geral dos Estados Unidos, Eric Holder.

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