Política mundial e falta de sensibilidade podem atrapalhar Rio+20, diz embaixador alemão

Para Wilfried Grolig, conferência acontece dentro de um contexto internacional. Alemanha defende criar agência ambiental global

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

O embaixador da Alemanha no Brasil, Wilfried Grolig, afirmou nesta segunda-feira, no Rio, que o ambiente político internacional adverso e a falta de sensibilidade de alguns países para o tema podem ser os maiores obstáculos para o sucesso da Conferência ambiental Rio+20 . Grolig participa do seminário “No Caminho da Rio+20”, promovido pela Fundação Konrad Adenauer.

Veja as últimas notícias sobre a conferência:
Pontos da Rio+20 estão travados, diz diplomata
Acadêmicos e políticos pedem para que Rio+20 dê mais peso à mudança climática
Movimento ambientalista prega 'decrescimento' da economia
Reeleição de Obama poderia ter impacto na Rio+20
Rio+20 busca compromisso de países, FMI e nova economia

“Os principais obstáculos podem ser os diferentes nível de consciência sobre o assunto, e saber se todos têm a mesma sensibilidade para o tema. Além disso, o clima político internacional pode influenciar o resultado, de forma positiva ou negativa. A conferência não acontece em um vácuo, não é isolada do contexto político mundial”, afirmou, sem se referir a nenhum país especificamente.

Para Marcos Azambuja, ex-embaixador do Brasil na França e na Argentina e negociador do país durante a Rio 92, Estados Unidos e China – por motivos diferentes – se opõem a mais controles e à criação de metas. Segundo ele, há nos EUA grupos políticos (mais especificamente os republicanos) que contestam até as pesquisas sobre as mudanças climáticas; a China vê as negociações como maneiras de frear seu crescimento econômico.

Alguns dos principais temas do evento mundial serão a discussão sobre a elevação do status do Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) para o nível de agência internacional. A Alemanha e a União Europeia defendem a elevação do status da Pnuma, sediada no Quênia, ao grau de agência, com mais recursos e prestígio.

“Torcemos por uma organização melhor de meio ambiente, com a elevação do status da Pnuma. Em política internacional, precisamos criar estruturas relevantes para expressar o nível de importância dos assuntos tratados. Temos, por exemplo, a OMC (Organização Mundial do Comércio), a OIT (Organização Internacional do Trabalho) e a Unesco, porque são assuntos importantes. O desenvolvimento sustentável e um tópico de extrema importância. Esperamos que isso aconteça”, afirmou o embaixador alemão.

Para Marcos Azambuja, porém, esse será um tema espinhoso durante a conferência, porque, disse, uma entidade mais forte não interessa aos Estados Unidos, que teriam mais um organismo para pressioná-los.
De acordo com o embaixador alemão, a economia mundial precisa ser “completamente transformada” para obter resultados no meio ambiente. Um dos principais temas da Rio+20 será “Economia Verde”. Para Grolig, entretanto, o termo ainda reflete uma visão pouco abrangente, “estreita”.

Política mundial e falta de sensibilidade podem atrapalhar Rio+20, diz embaixador alemão
“O fato é que toda a economia precisa ser completamente transformada, passando a usar energias renováveis. Não estamos falando sobre o futuro, estamos falando sobre hoje. As expectativas e aspirações são muito altas, não temos tempo sobrando. Não teremos desenvolvimento sustentável a não ser que seja agora.”

Segundo o embaixador, “o desenvolvimento sustentável tem três elementos importantes: o econômico, o ambiental e o social. É uma santíssima trindade, inseparável. Nós, como Alemanha e União Europeia, acreditamos nesses três elementos”, disse.

De acordo com o embaixador Grolig, a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, ainda não definiu se virá ao Rio.

    Leia tudo sobre: rio+20conferêncianegociaçõesrio20

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG