Espécies ameaçadas da África do Sul são esculpidas em bronze

Projeto de artista sul-africano quer arrecadar fundos para a conservação dos animais do país

EFE |

EFE
Escultura de andorinha azul, de Bruce Clements: projeto para arrecadar fundos para conservação
 O escultor sul-africano Bruce Clements gravou em bronze espécies da África do Sul que estão ameaçadas de extinção, em um projeto que pretende arrecadar fundos para a conservação da fauna e da flora através da venda das esculturas, tão singulares como as espécies retratadas.

Além dos rinocerontes , os mais populares, mais de uma centena de anfíbios, 295 mamíferos, 841 aves e 41.769 plantas correm risco de extinção no continente e podem desaparecer no sul da África, segundo dados do Fundo para a Vida Selvagem da África Austral (EWT, na sigla em inglês).

Leia mais sobre os animais da África do Sul:
Javali-africano vira o jogo e persegue guepardo
Filhos de Donald Trump são criticados por fotos de caça na África
Cientistas descobrem barata que pula feito gafanhoto
Caça na África do Sul pode exterminar rinoceronte até 2020
África do Sul endurece legislação de caça de rinocerontes

A ONG luta desde 1973 pela preservação da biodiversidade sul-africana e recentemente se uniu a Clements na tentativa de alertar a população e imortalizar as espécies. "É um sentimento estranho, saber que sou o primeiro a esculpir alguns desses animais e que talvez estas esculturas sejam a última lembrança deles, a menos que façamos algo imediatamente", disse o escultor sul-africano.

A destruição dos habitats naturais e o mercado de coleção são as principais ameaças para a vida selvagem na África do Sul. No entanto, o maior perigo é o desconhecimento da população sobre o fato. "O objetivo deste projeto não é apenas arrecadar fundos, mas também chamar a atenção sobre espécies que a maioria das pessoas nem sequer conhece", disse o artista.

A extinção do rinoceronte é a mais popular, enquanto o coelho Riverine, o manatim africano e o lagarto de Sungazer são quase desconhecidos. "Há muitos animais que estão mais ameaçados que o rinoceronte, mas é muito difícil abrir os olhos das pessoas sobre as outras espécies menos carismáticas", lamenta Ian Little, responsável do programa de conservação de espécies da EWT.

A primeira das esculturas em bronze modelada por Clements reproduz a andorinha azul. No momento, em seu estúdio em Johanesburgo, o artista trabalha no molde de cera do lagarto de Sungazer, e em seguida fará o coelho de Riverine, o mamífero mais ameaçado da África do Sul.

"A lista é infinita, porque há milhares de espécies em perigo, e todas necessitam a mesma atenção", afirmou o escultor, que doará 50% da receita de seu trabalho para projetos de conservação. As esculturas têm um preço que oscila entre 3 mil rands (US$ 375) e 9 mil (US$ 1.125), dependendo do tamanho e dos detalhes da reprodução.

Atualmente, o escultor está percorrendo a África do Sul para ver de perto as espécies que gravará em bronze. "É impossível retratar um animal sem ter visto antes seus movimentos e temperamento", explicou.

As reservas naturais da África do Sul atraem a cada ano milhares de turistas, que buscam os chamados "cinco grandes": rinoceronte, leão, búfalo, leopardo e elefante. "Infelizmente, pouco desse dinheiro chega à conservação das espécies ameaçadas, pois a maioria delas não vive nestas reservas. Dessa forma, o turismo e os 'cinco grandes' quase não contribuem para proteger a diversidade da fauna sul-africana", acrescenta Little.

    Leia tudo sobre: conservaçãoáfrica do sulbiodiversidade

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG