Mudança climática cria descompasso para aves migratórias

Estudo europeu constatou que pássaros estão chegando em média com uma semana de antecedência para o período de reprodução

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

As mudanças climáticas estão criando um grande problema para as aves migratórias. Todos os anos, diversas espécies passam o inverno em áreas mais quentes do globo e voltam a sua origem na primavera para reproduzir. Um grupo de cientistas da Europa constatou que os pássaros, tentando seguir o adiantamento da primavera, chegam aos locais de reprodução antes do previsto e com isto, estão tendo mais dificuldade em encontrar parceiros para procriar e até mesmo encontrar comida. Eles alertam que o resultado esperado para este descompasso é uma provável diminuição das populações.

O grupo analisou por 51 anos a migração de 117 espécies de pássaros e constatou que em média as aves chegaram uma semana mais cedo ao norte da Europa do que há anos atrás. “Nós não sabemos se eles estão voando mais rápido ou saindo mais cedo”, disse ao iG o biólogo Roberto Ambrosini, da Universidade de Milano-Bicocca, que participou do estudo publicado no jornal científico Proceedings B of the Royal Society.

Mas o adiantamento não se mostrou uma solução. “Vimos que os organismos não estão acompanhando a antecipação da temperatura”, disse. O avanço na data de chegada para as áreas de reprodução, o que de fato ocorreu para a maioria das espécies, não foi totalmente compensado pela mudança climática e assim, acontece o descompasso, chamado pelos cientistas de atraso térmico. “O período de abundância de alimento como insetos é curto em áreas como o Norte da Europa, ocorrendo uma incompatibilidade entre os animais e o ecossistema”, disse Ambrosini.

De acordo com o estudo, o problema foi notado principalmente nos pássaros que passam a inverno na África subsaariana e nas espécies que viajam por longas distâncias.

A equipe com pesquisadores da Itália, Alemanha, Finlândia e Rússia observou quatro locais no norte da Europa e pegaram uma média de dias de chegada de cada espécie. A partir deste dado, eles compararam a temperatura média destes dias para saber se correspondiam ao limiar que dispara os ciclos naturais como a polinização de flores, por exemplo, o que na maioria dos casos estava em desacordo. “A partir deste estudo, verificou-se que aves migratórias atualmente muito comuns na Europa poderão entrar em risco de extinção por conta das mudanças climáticas”, disse Ambrosini.

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