Media Lab completa 25 anos

Laboratório de inovação do MIT comemora seu aniversário com novos projetos, como o de problemas de visão por celular

Natasha Madov, enviada a Cambridge, EUA |

Em 1985, Nicholas Negroponte, um professor da escola de arquitetura e urbanismo do Massachussetts Institute of Technology (MIT), levou ao presidente da instituição, Jerry Wiesner, um conceito para um novo departamento que estudasse a convergência de conteúdo, telecomunicações e computação e como ela impactaria a vida das pessoas, em uma época em que Internet, telefones celulares e TV a cabo ainda estavam longe de fazerem parte da rotina do mundo. Conheça o Media Lab na galeria:



Wiesner apoiou a idéia e nascia o Media Lab (em português, Laboratório de Mídia), um espaço interdisciplinar que esta semana completou 25 anos com 28 professores titulares, 138 alunos de pós-graduação, mais de 60 patrocinadores e um orçamento anual de 26 milhões de dólares e desenvolve mais de 400 projetos em temas tão diversos quanto neuroengenharia, aprendizagem infantil, carro do futuro e papel de parede que conduz eletricidade. “O Media Lab reinventou o significado de mídia muitas vezes, com projetos como roupas inteligentes, criação musical para leigos, ou fazer máquinas entenderem emoções humanas,” diz Joost Bonsen, instrutor do departamento. Veja no vídeo o papel de parede interativo:



A interação com grandes empresas garante que muitos dos projetos do Media Lab cheguem ao público -- ser patrocinador do departamento permite que a empresa tenha direitos sobre suas invenções com exclusividade. Mas ele também incentiva o espírito empreendedor de seus pesquisadores – um exemplo famoso é o videogame Guitar Hero, criado por dois ex-alunos do laboratório.

Oftalmologista no smartphone
Um dos projetos mais recentes do Media Lab, que ilustra bem a relação entre homem e máquina que o laboratório estuda é de responsabilidade de um catarinense de 26 anos, Vitor Pamplona. Há um ano no Media Lab como parte de seu doutorado em computação gráfica, o pesquisador está desenvolvendo um dispositivo portátil que, acoplado a um smartphone, mede graus de miopia, hipermetropia, astigmatismo e presbiopia de seu usuário.

A idéia surgiu ao descobrir que a esposa de seu orientador, Ramesh Raskar, não conseguia enxergar os gráficos de um novo tipo de código de barra por causa de sua miopia. “Começamos a nos perguntar se isso poderia ser usado para medir graus de acuidade visual, e como íamos fazer isso” contou Pamplona ao iG durante visita ao departamento. Em dois meses, haviam criado um cubinho de plástico de apenas dois dólares, e aplicativos para celular que acompanham o sistema, chamado de NETRA (sigla em inglês para Tela Interativa para Estimativa de Erros de Refração e Alcance Focal).

Com o dispositivo acoplado no celular, a pessoa precisa alinhar figuras que aparecem no aplicativo. Os diferentes alinhamentos denunciam o grau do paciente. “A idéia não é substituir completamente o médico, mas o NETRA pode ser útil para fazer triagens de quem precisa de óculos em comunidades carentes, ou ter em casa para avaliar sua visão. Dois bilhões de pessoas no mundo precisam de óculo, meio bilhão não tem acesso ao médico e existem quatro bilhões de celulares no mundo. Como a gente acha esse meio bilhão?” pergunta o pesquisador.

Como é necessário ter prescrição médica para encomendar um par de óculos, em posse do resultado do NETRA, o paciente pode ser encaminhado para exames adequados. Ele também pode ajudar a descobrir doenças oculares, como aconteceu com o próprio Pamplona. “Comigo o aplicativo não funcionava de jeito nenhum. Fui ao médico e descobri que tenho um problema na córnea.”

O projeto foi apresentado em um congresso em julho, e agora está em testes na Índia e sendo apresentado à comunidade médica e em breve será apresentado ao FDA (Food and Drug Administration). Enquanto isso, Pamplona e outro brasileiro, Erick Passos, continuam os testes para garantir a precisão do NETRA e criando uma versão infantil do aplicativo.

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