Máquina quântica é o maior avanço do ano segundo revista Science

Aparelho é o primeiro a gerar movimentos no mundo macroscópico usando as estranhas leis do universo quântico

Alessandro Greco, especial para o iG |

Reprodução/Nature
A máquina quântica construída pelos cientistas americanos que foi considerada o avanço do ano pela revista Science.
Por alguns milissegundos cientistas conseguiram a façanha de gerar movimento no mundo macroscópico usando as leis do mundo quântico. A invenção foi considerada pela revista Science a o avanço do ano na edição publicada nesta quinta. Curiosamente o artigo original, dos físicos Andrew Cleland, John Martinis e colegas da Universidade da California, em Santa Barbara, Estados Unidos, foi publicado na revista Nature, concorrente da Science. “O resultado é impressionante”, afirmou ao iG o pesquisador Gilberto Medeiros-Ribeiro, cientista senior do HP Labs, braço de pesquisa avançada da empresa HP, que trabalhou durante cerca de dez anos na criação de sistemas de memória quânticos. “A grande sacada deles foi construir um mecanismos eletromecânico para fazer o experimento”, completa ele.

O sistema criado pelos pesquisadores da Universidade da California seria o equivalente a um alto-falante no qual um sinal elétrico é transformado em vibração. Ou seja: liga-se o CD do carro e os impulsos elétricos transmitidas pelos fios ao chegar ao alto-falante são transformados em vibração (e ouve-se som). A diferença é que no caso da invenção do ano o sinal é gerado por um bit quântico e não por uma fonte de energia que obedece às leis da física clássica. Ou seja: a máquina quântica é uma prova de que os princípios do mundo quântico, que governa o mundo das moléculas, átomos e partículas subatômicas, podem ser usados para gerar movimento de objetos macroscópicos. “E vice-versa também. Se alguém chacoalhasse este alto-falante ele geraria uma corrente elétrica”, explica Medeiros-Ribeiro.

A pesquisa é um primeiro passo para os cientistas consigam controlar e manipular o movimento no mundo quântico para criar detectores ultra-sensíveis, por exemplo, para a detecção de mínimas vibrações, com aplicações até em prospecção de petróleo. Mas antes disso era necessário conseguir realizar movimento no limite do mundo quântico. Este passo foi dado. Agora resta saber quanto tempo irá demorar para dar os próximos. “A resposta é que ninguém sabe. Este campo de máquinas quânticas está muito no começo ainda. Há poucos grupos trabalhando na área. Conheço apenas três no mundo, embora talvez haja mais alguns poucos outros”, afirma Medeiros-Ribeiro

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