Manuscritos de Alencar podem ter sido influenciados por argentino

Em ensaios de 1887, escritor teoriza de que o homem teria surgido na América, hipótese já descartada por cientistas

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

As ideias apresentadas nos manuscritos de José de Alencar já caíram por terra. Em textos escritos no ano de 1887, o escritor teoriza sobre a origem da humanidade e sua extinção. De acordo com José de Alencar, o homem teria surgido na América e o mundo acabaria em uma hecatombe iniciada também no continente americano.

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A professora da faculdade de Ciência e Tecnologia da Unesp, antropóloga Ruth Künzli, afirma que a teoria aparentemente fantasiosa já está completamente fora de questão. “Estudos já comprovaram que o homem surgiu na África”, diz. Fósseis datados entre 5 milhões de anos e 1 milhão de anos atrás revelam que hominídeos já viviam naquela região. “Na América, o surgimento do homem é datado de apenas 25 mil anos atrás”, afirma. De acordo com a professora, a origem do homem já não é mais questionada.

No entanto, no século 19 havia uma teoria em voga, de que o homem poderia ter surgido na América. A professora lança a hipótese de que talvez Alencar tenha sido influenciado pelo paleontólogo argentino Florentino Ameghino, que publicou estudo, baseado em fósseis, com a teoria de que o homem teria sua origem na América. No livro “A Antiguidade do Homem na Prata”, de 1878, Ameghino “cria uma linha de evolução do supostos Tetraprotomo, Triprotomo, Diprotomo e Protomo, de onde teria surgido o homem primitivo”, diz Ruth. No entanto, a professora salienta que esta teoria foi descartada há algum tempo.

“Em relação ao fim do mundo, o melhor é esperarmos, e ainda vai demorar milhões de anos, para saber o que realmente possa acontecer”, finaliza

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