Malária é tão antiga quanto a humanidade

Pesquisadores descobriram que o parasita da doença acompanhou o homem na migração para fora da África

Agência Fapesp |

A malária é uma doença que atinge os humanos há muito tempo. Registros são encontrados desde 2.700 a.C., na China. Estima-se que tenha sido um dos fatores que contribuíram para o declínio do Império Romano, quando era tão comum que se tornou conhecida como “febre romana”.

Um novo estudo afirma que a malária é ainda mais antiga do que se estimava, dezenas de milhares de anos para ser mais exato. Segundo o grupo internacional responsável pela pesquisa, a doença é tão velha como a própria humanidade.

Em artigo publicado nesta quinta-feira (17/6), na revista Current Biology, François Balloux, do Imperial College London, no Reino Unido, e colegas descrevem que a doença infecciosa tropical evoluiu simultaneamente com o homem moderno, acompanhando a migração da África há mais de 60 mil anos.

Segundo os autores, os resultados e as técnicas usadas no estudo poderão se mostrar importantes no desenvolvimento de novas estratégias voltadas à redução da prevalência da malária. A doença, causada por protozoários parasitas do gênero Plasmodium e transmitidos pelo mosquito Anopheles , causa entre 1 milhão e 3 milhões de mortes ao ano, entre mais de 230 milhões de casos.

“A maioria dos trabalhos que investigam como a malária se espalhou pelo mundo adota a premissa de que ela surgiu ao mesmo tempo que a agricultura, há cerca de 10 mil anos. Mas nossa pesquisa indica que o parasita da malária evoluiu e se espalhou com os humanos, sendo pelo menos tão antigo como o evento da expansão humana para fora da África”, disse Balloux.

Os pesquisadores trabalharam com a maior coleção de parasitas da malária já reunida. Os plasmódios foram caracterizados por meio de sequenciamento de seu DNA, de modo que fosse possível calcular a idade do parasita e rastrear o progresso da malária pelos trópicos.

Os cientistas descobriram uma clara relação entre a diminuição da diversidade genética à medida que se distancia da África subsaariana. Isso, segundo eles, espelha os mesmos dados presentes nos humanos, indicando forte evidência de evolução e migração simultânea.

O artigo Plasmodium falciparum Accompanied the Human Expansion out of Africa (doi:10.1016/j.cub.2010.05.053), de François Balloux e outros, pode ser lido por assinantes da Current Biology em www.cell.com/current-biology.

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