SÃO PAULO (Reuters) - Mais de um em cada cinco homens brasileiros com relações fixas traiu sua parceira no último ano e a maioria não usou preservativo ao fazer sexo fora do relacionamento, revelou um estudo divulgado pelo Ministério da Saúde nesta quinta-feira. De acordo com pesquisa feita com 8.000 pessoas de 15 a 64 anos, realizada em novembro de 2008 pelo Ibope a pedido do ministério, 21 por cento dos homens que viviam com suas companheiras em 2008 tiveram relações com parceiras eventuais. Já entre as mulheres, esse índice cai para 11 por cento.

Segundo a Pesquisa sobre Comportamento, Atitudes e Práticas relacionadas às DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis) na População Brasileira, 63 por cento das pessoas que fizeram sexo casual fora do relacionamento não usaram preservativo em todas as relações com parceiro eventual.

Dos 43,9 milhões de brasileiros que tinham relacionamento fixo, 7,1 milhões traíram no ano passado.

O mesmo estudo, primeiro a abordar relações casuais de pessoas com relacionamento fixo, constatou que 10,5 por cento da população sexualmente ativa entre 15 e 24 anos conheceu ao menos um parceiro sexual pela Internet nos últimos 12 meses, uma tendência que exigirá novas políticas informativas por parte das autoridades, segundo o ministro da Saúde, José Gomes Temporão.

"Uma coisa nova, que surge, é a Internet como espaço de encontro, o que vai exigir do governo novas estratégias, novas abordagens para lidar com essa realidade", disse Temporão, na apresentação do estudo em Brasília, segundo comunicado do ministério.

"Em sites de relacionamento, Orkut, blogs e outros espaços na rede mundial de computadores, o ministério vai ter de entrar e levar informações, discutir, entrar em debates", acrescentou.

Segundo o estudo, no caso das relações sexuais nos 12 meses que antecederam o estudo, 51 por cento dos homens recorreram à camisinha em todas elas, contra 34,6 por cento das mulheres.

O estudo constatou também que, de 2004 para 2008, o índice de brasileiros que faz sexo casual mais que dobrou, subindo de 4 para 9,3 por cento. Apesar disso, houve uma tendência de queda do uso do preservativo, que passou de 51,6 por cento em todas as relações casuais em 2004 para 46,5 por cento em 2008.

O estudo mostrou também que a população brasileira tem um elevado índice de conhecimento sobre as formas de infecção e prevenção à Aids. Segundo o ministério, mais de 95 por cento da população sabe que a melhor maneira de prevenir a infecção pelo vírus HIV é usar a camisinha.

"Esse é um dos índices mais elevados do mundo", disse o ministério na nota.

Ainda de acordo com o estudo, os jovens brasileiros têm um comportamento sexual mais seguro do que os mais velhos.

Na última relação sexual com parceiros casuais, 68 por cento dos entrevistados entre 15 e 24 anos usou camisinha, contra 38 por cento entre os maiores de 50 anos.

E 30,7 por cento desses jovens costuma usar camisinha com parceiros fixos, contra 16,6 por cento na faixa etária entre 25 e 49 anos, segundo o ministério.

"Os jovens de hoje nasceram na era da Aids, por isso a relação com o preservativo é mais habitual", disse a diretora do Programa de DST/Aids do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, no comunicado.

(Por Fabio Murakawa e Pedro Fonseca)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.