Macarrão é promovido da sopa de letrinhas à geometria avançada

Físicos e matemáticos usam seus conhecimentos para combinar os formatos de macarrão com equações e softwares

The New York Times |

Getty Images
Matemáticos inspiram seus cálculos no formato da massa
A maior parte das pessoas que comem macarrão deve gostar do sabor da massa ou apreciar a textura de espaguete cozido "al dente".

Sander Huisman também gostava, e começou a se perguntar qual equação matemática descreveria as formas ondulantes que ele mastigava.

Huisman, pós-graduando em física na Universidade de Twente, na Holanda, passa boa parte de seus dias usando o software Matematica, um programa que resolve problemas matemáticos complicados e gera belas figuras das soluções.

"Eu brinco muito com o Matematica", diz ele. "Estávamos comendo macarrão, e eu fiquei pensando o quão facilmente essas formas poderiam ser recriadas" com a ajuda do software.

Então, naquela noite, após o jantar, Huisman descobriu as quatro ou cinco linhas de cálculo do código do Matematica que gerariam a forma da massa que ele estava comendo _ gemelli, uma volta de espirais _ e de outra dúzia delas.

"Na verdade, a maior parte das formas é fácil de criar", diz ele.

Leia mais:
Culinária usa ciência para criar novos pratos
Habilidade matemática já aparece em crianças pequenas
A arte matemática de M. C. Escher
Adaptando a matemática para o mundo de hoje
Matemática tem que ser assunto em casa
Matemáticos acham 'número de Deus' para resolver o cubo mágico

Ele postou uma delas em seu blog, pensando fazer uma espécie de "macarrão do mês matemático" durante o ano seguinte. Mas depois se esqueceu das massas, até que alguém lhe pediu as receitas dos outros formatos, que ele também postou no blog.

Huisman, que estuda dinâmica de fluidos, não é único matematicamente inspirado pelas massas. Muitos anos atrás, Christopher Tiee, então professor assistente num curso de cálculo vetorial na Universidade da Califórnia em San Diego, incluiu em suas anotações uma enquete pedindo aos estudantes que combinassem os formatos de macarrão com as equações.

Enquanto isso, em Londres, dois arquitetos, Marco Guarnieri e George L. Legendre, experimentaram independentemente uma epifania similar, também quando comiam massa (espaguete ao alho e óleo, feito por Guarnieri). Então Legendre foi bem mais adiante: ele transformou a ideia num livro de duzentas páginas, "Pasta by Design", lançado em setembro pela editora Thames & Hudson, uma casa britânica especializada em livros de arte.

"Estávamos interessados, pode-se dizer, na amálgama da matemática com dicas de cozinha _ o profano e o sagrado", disse Legendre. "Eu estava até falando com alguém em Paris na semana passada que me disse, 'Esse podia ter sido um projeto do Dalí'."

O livro classifica noventa e dois tipos de macarrão, organizando-os numa árvore genealógica similar às árvores evolutivas. Para cada um deles, o livro oferece uma equação matemática, uma foto de dar água na boca e um parágrafo de sugestões, como molhos com os quais comer cada massa.

Nesse universo, Legendre considera os trenne, um macarrão com os ângulos rígidos de tubos triangulares, uma esquisitice.

"Esse é um universo espelho onde tudo é flexível e transado, mas há alguém que se destaca, e é o trenne sem graça com seus ângulos retos", diz ele.

Legendre até mesmo desenhou uma nova forma _ ioli, o nome de sua filha bebê _ que parece uma espiral enrolada em torno de si mesma, como uma fita de Moebius tubular.

"Pensei que seria legal ter um macarrão com o nome dela", disse ele.

Ele está esperando conseguir fabricar cerca de cinquenta quilos de ioli, mas ainda levará alguns meses para fazer isso, por conta da dificuldade de se juntar as pontas da massa.

    Leia tudo sobre: geometriamacarrãomatemática

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG