Leões são mais diversos geneticamente do que o esperado

Pesquisadores descobriram que leões da África Central são geneticamente mais próximos aos da Índia que do sudeste africano

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

Getty Images
Leão caminha pelo Parque Nacional Kruger, na África do Sul
Pesquisadores descobriram que os leões que habitam o centro-oeste africano são geneticamente mais próximos da subespécie asiática do que os que habitam o sudeste africano. Eles analisaram o DNA da mitocôndria de leões das duas partes da África, Índia, assim como de leões já extintos na natureza. Para os cientistas, compreender a estrutura geográfica da diversidade genética é fundamental para o desenvolvimento de estratégias de conservação, tanto na gestão local quanto para a criação de populações em cativeiro.

As duas regiões da África contêm leões com características físicas e comportamentais diferentes. Estudos anteriores mostravam que os do centro-oeste tendem a ser menores e mais leves, além de terem jubas menores e comer menos. “Porém só levar em conta as características físicas não é o suficiente. São dois ecossistemas diferentes, e os animais podem ter se adaptado para tanto, por isto é preciso também fazer uma análise genética”, disse ao iG Laura Bertola, autora do estudo e do Instituto de Ciências Ambientais da Universidade de Leinden, na Holanda, e autora do estudo.

A descoberta surpreendeu os cientistas, mas é preciso cautela, pois ainda é cedo para afirmar que existe uma nova espécie de leões. Todos os leões pertencem a uma mesma espécie, Panthera leo , existindo a subespécie da Ásia, Panthera leo persica . Tanto os leões da África quanto os da Ásia são classificados como vulneráveis na lista vermelha das espécies ameaçadas.

Hermen Visser
Leão em Louloumbaya, Camarões. Cientistas constataram que os leões da África Central ão geneticamente mais próximos aos da Índia
Os pesquisadores sugerem que a diferença entre os leões do centro-oeste africano e o sudeste pode ser explicada pelo isolamento geográfico por e barreiras como a Floresta Central africana e o Vale Rift, que vão desde a Etiópia até a Tanzânia e da república democrática do Congo a Moçambique.

Outra explicação foram as frequentes glaciações do período do Pleistoceno - entre 40 mil e oito mil anos atrás. Um impacto significativo sobre os animais e a disponibilidade de alimentos pode ter resultado em diferentes linhagens genéticas nesta região. Depois de extintos os animais, grupos vindos da Ásia podem ter recolonizado a região.

De acordo com o estudo, esta relação dicotômica entre espécies com indivíduos tanto no centro-oeste africano e sudeste africano tem sido observada em sete outros animais africano, como o elefante africano ( Loxodonta africana ), o guepardo ( Acinonyx jubatus ), rinoceronte ( Diceros bicornis ), antílope ( Hippotragus equinus ), e a girafa ( Giraffa camelopardalis ).

Os pesquisadores pretendem agora aprofundar ainda mais estudo com análise dos dados do núcleo da célula, visto que a análise mitocondrial contém características apenas das fêmeas. “Só a análise mais aprofundada pode revelar se há uma nova espécie e nós vamos continuar os nossos estudos nesta direção”, disse.

Laura afirma que só a análise genética contribui para a melhor administração de esforços de conservação para espécies ameaçadas de extinção. “Só assim poderemos dizer se é uma espécie muito rara”, diz.

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