Juízes são mais clementes após as refeições, diz estudo

Pesquisa feita em Israel mostra que chance de preso conseguir condicional é de 65% quando o juiz está de barriga cheia

iG São Paulo |

Se você tiver de ir a um tribunal, tente ser o primeiro réu do dia, ou chegar logo depois do almoço. Um novo estudo sugere que é nessas oportunidades que os juízes estão mais lenientes.

Tentando testar a idéia de que a Justiça depende “do que o juiz comeu no café da manhã”, pesquisadores analisaram 1.112 decisões de juízes israelenses que presidiam comissões para decidir se um prisioneiro merecia liberdade condicional.

“Descobrimos que a probabilidade de uma decisão favorável é maior logo no início do expediente ou após a pausa para refeição do que nos casos subsequentes”, informam os pesquisadores na edição desta terça-feira, 11, do periódico Proceedings of the National Academy of Sciences .

Eles determinaram que, no início da sessão, cerca de 65% das decisões tendiam a ser a favor do preso, mas que a chance de uma decisão favorável caía a virtualmente zero ao final de sessão. Depois da pausa para comer, as decisões favoráveis voltavam à taxa de 65%, e então começavam a cair outra vez.

E o padrão se manteve em cada um dos oito juízes observados durante um período de 50 dias.

“É sempre surpreendente encontrar efeitos onde não se esperava achar nada”, disse Jonathan Levav, da Universidade Columbia. “Um cientista social fica animado. Mas, como cidadão, não é algo que se queira descobrir”.

Quando pessoas tomam uma série de decisões em sequência, elas buscam um modo de simplificar o processo quando ficam mentalmente cansadas, e o mais fácil é manter o estado anterior – no caso, deixar o preso onde está, na cadeia.

Os pesquisadores descobriram que as decisões não mostram correlação com a gravidade do crime, o tempo de pena cumprido, o sexo ou origem étnica do preso.

Cada juiz fez duas pausas. Uma no meio da manhã, e depois um horário de almoço.


Levav, um professor administração de empresas, disse que o estudo era parte de uma pesquisa em tomada sequencial de decisões. Seus coautores são da Universidade do Negev, em Israel.

Os pesquisadores disseram desconfiar que as pessoas também devem buscar formas de simplificar a tomada de decisões nos corpos legislativos, na área médica, financeira e outras oportunidades.

(com informações da AP)

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